14/08/20
29º/17ºLONDRINA
Entenda

84% das brasileiras ligadas ao setor musical já foram discriminadas no trabalho, diz pesquisa

Pesquisa realizada Data SIM (Semana Internacional da Música), que reúne dados e informações sobre o mercado musical, mostra que 84% das mulheres brasileiras ligadas ao setor já foram discriminadas no ambiente de trabalho.

Pixabay
Pixabay


Foram 1.450 mulheres entrevistadas para a pesquisa "Mulheres na Indústria da Música no Brasil: Oportunidades, Obstáculos e Perspectivas", realizada em 2019, à qual a reportagem teve acesso com exclusividade. O estudo aponta ainda que 63% delas foram afetadas de alguma forma pelo viés de gênero e quase 21% não se sentem confortável no local de trabalho por ser mulher.

Daniela Ribas, diretora de pesquisa do Data SIM, afirma que o levantamento foi realizada em parceria com WIM Brasil e WME (Women's Music Event). Ela destaca ainda que o assédio sexual foi descrito por 49% das entrevistadas como principal dificuldade na profissão.

O número de mulheres no setor musical no mundo está em torno de 30%, segundo dados da ONG WIM (Women in Music) divulgados em 2019. "Não estamos mais nos anos 1990, quando realmente tinham menos mulheres na música. Tem muita banda e mulher na parte técnica como iluminação, projeção", afirma a guitarrista e baixista Patricia Saltara, que toca nas bandas In Venus e Weedra.

Uma das coordenadoras do projeto Girls Camp Rock Brasil, Saltara afirma que o projeto atua no incentivo e na formação de meninas na música. Ela destaca que a cena independente feminina é forte, mas que esse trabalho não é divulgado "porque os homens só escutam homens, e eles estão à frente de festivais, são curadores e donos de produtoras."

Pesquisa do Spotify aponta que apenas 10% das mulheres que trabalham com música são escaladas para festivais, por exemplo. "É comum os homens respeitarem mais o que é feito por homens em qualquer área e precisamos quebrar essa estrutura. É um longo caminho", diz Saltara.

Há 30 anos no setor musical como compositora e instrumentista, Delia Fischer, diz que a situação já melhorou. No início da carreira, ela afirma que ouvia frases como "você toca como homem" ou "você conduz uma orquestra como homem" e que era comum ver homens procurando mulheres instrumentistas para "embelezar a banda".

"Hoje pega muito mal falar isso, mas as mulheres continuam tendo pouca visibilidade. Isso é fato", afirma a artista, ao recordar que na infância não podia chega perto das guitarras, porque era coisa de menino.

Fischer diz que é preciso agir agora para mudar a realidade das próximas gerações. "Você quase não vê uma menina ganhando uma bateria, como você não vê um menino ganhando um jogo de panela. Ela pode ser uma ótima baterista, e ele um grande chef de cozinha. Por que não?", questiona a artista.

A pesquisa ainda mostra que a mulher trabalha mais para provar o seu valor e precisa acumular a sua profissão com tarefas domésticas. Das entrevistas, 60% sentem que essa dupla jornada é uma das maiores dificuldades da profissão.

"Elas têm a sensação de que precisam fazer o trabalho melhor do que o homem para conseguir ser reconhecida e para se sustentar", lembra Ribas. As mulheres com filhos, ainda, disseram que poderiam, pelo seu conhecimento, estar em uma posição mais avançada na carreira.

E não são só advogadas, executivas ou médicas que deixam de ter filhos por suas carreiras. Na área musical, isso também acontece. A pesquisa mostra que 62% das mulheres que conseguem ser atuantes na música são solteiras e não têm filhos.

"A impressão é de que esse mercado pode ser mais liberal, mas não é verdade. As mulheres acabam tendo menos tempo para saídas culturais. Depois de serem mães, elas vão menos ao cinema, a exposições. Elas têm até mais interesse, mas não conseguem ir", diz Ribas.
Fabiana Schiavon - Folhapress
Conteúdo relacionado:
Mas não deu certo...
Confira os famosos que já se aventuraram no mundo da música
Percepção
Conheça os efeitos das músicas no seu cérebro
Cuidados com a audição
Estudos comprovam que ouvir música faz bem à saúde
Continue lendo
Melissa Lingafelt
Drake Bell, de 'Drake e Josh', nega ter abusado e agredido a ex-namorada após acusações
13 AGO 2020 às 16h39
k-pop
BTS ganha segundo videogame produzido pela Netmarble, o 'BTS Universe Story'
13 AGO 2020 às 15h19
Malu Gabatti?
Manu Gavassi platina cabelo e assume nova personalidade nas redes sociais: 'Malu Gabatti'
13 AGO 2020 às 15h07
10 dias de lives
Festival Barbada celebra 10 anos com evento cultural online
13 AGO 2020 às 10h14
Alívio
Digão, vocalista do Raimundos, se recupera da Covid e comemora
13 AGO 2020 às 09h50
Guerra jurídica
Globo obtém liminar para barrar transmissões da Turner no Brasileiro
13 AGO 2020 às 09h19
Veja mais e a capa do canal
JORNAIS
Folha de Londrina
TELEVISÃO
MultiTV Cidades
OUTRAS EMPRESAS
Grafipress
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Bonde - Todos os direitos reservados