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As faces ocultas do Ira!

01 nov 2001 às 17:28

Nem só do bom rock'n'roll vivem os quatro integrantes da banda Ira!. Nasi (vocais), Edgard Scandura (guitarra), André Jung (bateria) e Ricardo Gaspa (baixo) desenvolvem atividades paralelas, nas quais estravasam outras vertentes de suas personalidades artísticas. Todos os trabalhos "não-oficiais" do quarteto apontam para linhas bastante diferentes da música produzida pelo Ira!, como blues, música eletrônica, surf music e arte performática.

Nasi, Edgard Scandura e o Gaspa estão lançando suas bandas paralelas pelo selo Polythene Pam, o mesmo que lançou a banda indie pop Maybees. "Um selo pequeno, mas que trabalha bem", segundo relatou o próprio Nasi. Talvez estas iniciativas individuais sejam responsáveis pela união do grupo, que mantém sua formação inalterada desde seu surgimento em 1981. Afinal, elas dão liberdade de expressão para cada músico da banda. Leia o que cada um deles diz sobre seus trabalhos:


NASI
Bonde: Desde o começo dos anos 90, você toca um projeto paralelo chamado Nasi & Os Irmãos do Blues. Ele ainda está em atividade?


Nasi: Eu lancei o último CD dos Irmãos do Blues em agosto de 2000. Chamava-se "O Rei da Cocada Preta". Mas ultimamente não me apresento muito com a banda. Fico só gravando os discos sem fazer shows. Quando pinta uma janela na agenda do Ira!, trabalho neste projeto. A banda não tem um empresário. Só toca quando recebe convites. Até porque a agenda do Ira! não está permitindo um envolvimento muito grande com os Irmãos do Blues. É uma pena, pois antigamente eu me apresentava muito com este projeto em Curitiba. Hoje não dá mais.


Bonde: Além de "O Rei da Cocada Preta", quais os CDs anteriores que foram gravados?


Nasi: Os dois primeiros do Nasi e os Irmãos do Blues saíram pela Tinitus. O primeiro foi "Uma Noite com... Nasi & Os Irmãos do Blues", de 1993. O segundo foi "Os Brutos também amam", de 1995. Eles estão fora de catálogo, pois o selo Tinitus não existe mais. Ouvi uma história de que o Pena Schmidt, proprietário do selo, estava vendendo alguns títulos do catálogo da Tinitus para a Trama. Eu torço para que isto aconteça, pois é uma idéia interessante. Já o terceiro CD dos Irmãos do Blues saiu pela Polythene Pam.


Bonde: Como você define os projetos paralelos?


Nasi: os trabalhos paralelos são uma válvula de escape para as viagens mais radicais de cada um. Isso não impede que alguma característica do trabalho solo influencie no trabalho do Ira! Fica uma coisa mais desafogada, uma maneira de manifestar sonoridades que não teriam vez na banda original. Afinal, a gente vai amadurecendo com o tempo, desenvolvendo gostos mais individuais. Mas os quatro integrantes têm um ponto em comum: o som do Ira! Desde o início, a gente trabalha em outras bandas. Eu fazia o Voluntários da Pátria, o André Jung tocava com o Herbert Vianna, o Edgard com o Arnaldo Antunes e as Mercenárias. Sempre houve esta liberdade sadia.


EDGARD SCANDURA
Bonde: Em 1996, você gravou "Benzina", um CD que passeava pela música eletrônica. Como está este projeto atualmente?


Edgard Scandura: Este ano estou na batalha para chegar a meu CD solo. Meu objetivo é gravar um disco com 100% de música eletrônica, mas com guitarra, exatamente para fazer um diferencial. Quero fazer uma música pra pista, dançante, boa, forte, psicodélica, ao mesmo tempo com alguns toques de guitarras, que é para dar um toque diferente.


Bonde: entre os artistas de música eletrônica atuais, quais você destacaria?


ES: No time dos bam-bam-bans, com certeza eu citaria DJ Marky, Mau Mau, Renato Lopes e Patife. O Brasil está muito bem servido de DJs. Temos muita sorte neste aspecto. Uma noitada em São Paulo é uma autêntica aula de música eletrônica.


RICARDO GASPA
Bonde: Quais as novidades em sua banda de surf music, Os Alquimistas?


Gaspa: Nós mudamos de nome. De Os Alquimistas, passou para Huntington Bitches. O primeiro CD foi lançado no final do ano passado. Ainda está "fresquinho" e é vendido pela internet. Tem uma distribuição boa. A banda está passando por uma mudança de formação para possibilitar alguns shows. Atualmente, todos os músicos têm agendas muito lotadas. Por isso, estou mudando o time para que possam rolar alguns shows.


Bonde: O primeiro CD continha apenas covers. Há músicas próprias no repertório?


Gaspa: Sim. Temos nossas próprias músicas e pretendemos incluí-las no próximo CD. Estamos com material para um um novo disco, que vai mesclar um repertório de composições próprias e covers.


ANDRÉ JUNG


Bonde: Você já tocou no trabalho solo de Herbert Vianna. Atualmente, o você está fazendo?


André Jung: Faço a direção musical da Banda Performática, um grupo montado por um artista plástico contemporâneo paulistano, José Roberto Aguilar. Esta banda agitou muito por São Paulo no começo dos anos 80. Dela já participou o Titã Pauo Miklos. Neste ano, o projeto está sendo remontado, estimulado pelo relançamento dos dois álbuns que a banda já possui.


Bonde: Como é a versão 2001 da Banda Performática?

AJ: A turma é formada por Kuaker (guitarrista, ex-Yo Ho Delic), Mingau (baixista do Ultraje a Rigor), César Maluf (tecladista do Concreteness), Marcelo Maluf (baterista e vocalista do Concreteness), Lourenço Loop B (percussão em sucata e samplers), as cantoras Cláudia e Gabi, as bailarinas Glauce e Letícia, além do Aguilar, que também canta e faz pinturas durante o show. Estou com a idéia de montar um grande show em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Pode ser que aconteça em outras cidades. Mas ir para a estrada não é prioridade. O objetivo da Banda Performática é mais cultural.


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