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Conheça a história do Bartenders, que completa 10 anos de existência

05 nov 2001 às 08:58

A história de vida dos Bartenders é uma sucessão de coincidências e desafios que, para os mais crentes, poderia ser resumida em uma palavra: destino. Os quatro atuais integrantes da banda foram se achando no meio desta história, que inclui encontros ocasionais em uma loja de vídeo, uma música do Eric Clapton cantada da platéia de um show e uma banda que trocou de nome e estilo enquanto o baterista viajava para visitar a namorada argentina.

Era uma vez um jovem que gostava de tocar guitarra e cantar, que junto com um amigo que tocava bateria, tentava montar uma banda de rock mais voltada para o heavy metal. O jovem cantor é Ricardo Moura e o baterista Ewerson Domingues. Ricardo encontrou Carlão Gaertner escolhendo vídeo em uma locadora. Carlão é figura tradicional do rock curitibano, tendo participado das bandas A Chave e A Pedra. Mas estava há cinco anos sem tocar, tinha se formado em Jornalismo e até já havia vendido seu equipamento.


Ricardo convenceu Carlão a ver menos vídeo e fazer um som com ele e o baterista Ewerson. "A coisa estava mais para o heavy metal e com uma guitarra que não afinava, meu equipamento de baixo era ruim. Enfim, tava tudo errado", lembra Carlão. Decidiram ir mais para o rock tradicional e o blues. Em um show de blues, encontraram Julio na platéia, pulando e cantando. Já conheciam o cara de outros trabalhos em outras bandas.


Começaram a conversar, surgiu o papo da música, atividade na qual Julio havia dado um tempo para concluir o curso de Medicina. Convidaram o guitarrista que, no clima do show havia tomado umas doses a mais, para ensaiar com eles e como resposta, receberam um desafio. Ele só iria se eles cantassem ali, na hora, uma música do Eric Clapton, mas não podia ser qualquer música, tinha que ser "Slow Down Linda", que não é das mais conhecidas.


Coincidentemente - destino? - eles estavam tirando esta música nos primeiros ensaios e Ricardo cantou, inteirinha. Julio se arrepiou a com o apelido de Jonnhy Tequila compareceu a um ensaio para nunca mais sair da banda. Era outubro de 1991. "Deu link na hora", lembram Ricardo e Carlão. Sem contar que, para arrasar o precário equipamento dos outros três, Tequila compareceu com uma guitarra Fender importada.


A partir dali e até hoje, um dos pontos de honra da banda é sempre ter o melhor em equipamento para poder passar a sonoridade e o timbre dos Bartenders para o público. Já nos primeiros ensaios, também começaram a compor.


Jam sessions
O primeiro show foi no bar Potato e chamado de "Bourbon Night", porque a banda tomava bourbon para "aquecer" antes da apresentação. Foi um sucesso e por causa desta apresentação foram convidados a fazer a "2ª Bourbon Night". Outro sucesso e os proprietários do Aeroanta, que havia recém-inaugurado em Curitiba, convidaram a banda para participar da festa de Natal.


No terceiro show da banda, eram a atração principal numa noite que reuniu 1,2 mil pessoas. O convidado especial da banda era, é claro, André Christóvam. Depois disso, passaram a tocar cinco vezes por semana em apresentações que, na madrugada, reunia a nata dos músicos locais e mesmo os de fora, que iam para o bar se divertir e dar uma canja. Essa característica de sempre ter convidados e transformar shows em jams entrou para a história do grupo.


Esta foi a primeira fase da banda, que durou até 1994, quando já começava a entrada do gitarrista Carlini e do baterista Franklin Paolilo nos Bartenders. André Christóvam - de novo ele - convidou a banda para tocar em São Paulo numa noite. Os Bartenders se agilizaram e estenderam para mais duas apresentações no Blue Note.


Carlini apareceu na platéia, gostou do que ouvia e, no segundo set pediu para tocar, mas fez um desafio: só tocaria se eles tivessem uma guitarra Gibson modelo Les Paul, importada. Tequila, coincidentemente, tinha justamente essa guitarra como reserva. Foi só tirar da embalagem e dar para Carlini. A banda havia recebido a recomendação de tocar baixinho, porque as pessoas sempre reclamavam do som muito alto na casa. Por isso, estavam tocando com volume 2,5. Carlini botou o volume no 10 e toda a banda acompanhou. Ninguém ficou sentado na platéia e todo mundo dançava.


"Num intervalo, o dono do bar veio falar comigo e pensei que viria bronca, mas ele liberou geral porque, pela primeira vez desde que a casa havia inaugurado, ninguém havia reclamado do volume", lembra Carlão.


Idas e vindas
A partir daí, Carlini começou a integrar o grupo como segundo guitarrista, mas a banda estava perdendo o baterista, que seguia outro caminho. Em 1995, o Bartenders foi convidado para o festival "Curitiba in Concert". Ricardo chamou Carlini, mas exlicou que estava sem baterista. Carlini disse que a banda já tinha novo baterista e o nome dele era Franklin Paolilo, que tocou junto com ele no Tutti Frutti e tocava com o Camisa de Vênus. Só tinha um problema, eles tocariam com o Camisa de Vênus em Chapecó, Santa Catarina, um dia antes do show em Curitiba, mas viriam com certeza.


"Reservei um estúdio para ensaio durante uma tarde toda e mandei uma fita com as músicas da banda para eles", lembra Ricardo. Franklin e Carlini tocaram em Chapecó, mas no dia seguinte não tinha nem avião nem ônibus para Curitiba e por isso eles decidiram vir de táxi. "Era uma taxista mulher que era a cara da Sula Miranda. Chegamos superatrasados e pudemos ensaiar apenas uma hora antes de ir para o show", fala Ricardo. Assim mesmo, foi novamente um sucesso e marcou definitivamente a entrada dos dois no grupo.


Com essa formação, foi gravado o disco "Black Whiskey & Full Moon", que teve ainda as particpações especiais de Frejat e, é claro, André Christóvam, além de Saul Trumpete e Ivo Rodrigues, entre outros músicos locais. O CD foi lançado no final de 1997.


Ao mesmo tempo em que a banda ficou prestigiada com as entradas de Carlini e Paolilo, os shows e ensaios ficaram mais difíceis porque os dois moravam em São Paulo e sempre tinham que pegar o avião para vir a Curitiba tocar. Por isso decidiram se separar, dando início à terceira fase da banda.


Bateria e Mercosul
Os Bartenders tiveram uma fase com bateristas alternativos. Em 1999, depois de um período de quase extinção, Ricardo encontrou o baterista Carlos Gustavo na frente de um bar em que sua antiga banda tocava. Perguntou o que acontecia e Carlinhos explicou que havia viajado para a Argentina, visitar a namorada e, enquanto isso, a sua banda havia mudado de nome e estilo e ele ficou de fora. Ricardo teve um estalo e falou que encontraria uma nova banda para o baterista.
Ligou para Carlão e Tequila convidando para um ensaio porque tinha achado o novo baterista para a banda.


Tequila não acreditou pois já havia desanimado com tantos outros testes anteriores. Ricardo o convenceu e marcou o ensaio para dali a dois dias. Passou o disco para o baterista que tirou todo o repertório nesses dois dias. No primeiro ensaio, todos ficaram sabendo que aquela era a formação ideal para o novo som da banda. Como se não bastasse tocar bem, ainda canta e tem formação musical em violão e piano.


"É a renovação da banda, que agora conta com integrantes dos 20 aos 50 anos", conta Carlão Gaertner. Além disso, os Bartenders podem até apostar no Mercosul, porque tanto Johnny Tequila quanto Carlos Gustavo falam, cantam e compõem em castelhano. Mas esta é uma história que ainda está para ser escrita. Talvez nos próximos dez anos dos Bartenders.



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