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Dante Ozzetti lança álbum com participações da irmã

14 nov 2001 às 17:28

Nas referências progressivas de um Dante Ozzetti ainda adolescente brotou a composição ‘Ultrapássaro’, um tema com linha melódica comandada pelo violão e alguns saltos verticais na transição entre graves, médios e agudos. O tempo passou, a música ganhou letra de José Miguel Wisnik e deu nome ao CD que Dante Ozzetti está divulgando, lançado pela gravadora Eldorado. ‘Ultrapássaro’, o disco, surgiu como prêmio da Edição Compositores do 3º Prêmio Visa de MPB de 2000.

Violonista, compositor e arranjador, Dante Ozzetti é quase inseparável da irmã Ná, com quem divide músicas e orquestrou a produção de quatros de seus discos. Em ‘Ultrapássaro’, Dante também conta com a presença da irmã em um trabalho sóbrio e experiente. O repertório traz apenas 11 faixas. Esse volume, compatível com a capacidade dos antigos LPs, poupa o ouvinte do excesso comum à tecnologia digital.


O CD abre com a faixa título, cantada pela irrepreensível Ná Ozzetti – ela já havia gravado ‘Ultrapássaro’ no disco ‘Estopim’ – e um rol invejável de instrumentistas: Kiko Moura (violão), Caito Marcondes (percussão) e Geraldinho Vieira (baixo), além de um naipe de cordas.


As parcerias de Dante se estendem com ‘Terra à Vista’, ‘A Tardinha’, ‘Os Passionais’, ‘Dentro e Fora’, ‘Para Dois’, ‘Estopim’ (com Luiz Tatit) e ‘Vou Voltar’ (com Itamar Assumpção). As participações incluem o grupo vocal Vésper, Mané Silveira (saxofone), Swami Jr. (violão de sete cordas), Guello (percussão), Fabio Tagliaferri (viola de arco), Jotagê Alves (clarone) e outros. A cantora Virgínia Rosa aparece em ‘Vão’ – que defendeu no Festival da Globo de 2000 –, além de fazer um dueto com Ná Ozzetti em ‘Dentro e Fora’.

Com formação acadêmica, Dante Ozzetti dá enfoques contemporâneos a gêneros que vão do pop ao maxixe. Esta variação é cimentada por uma sonoridade particular, orquestral, que garante um álbum coeso. Dante Ozzetti é direto, não cai em firulas mesmo trabalhando com muitos instrumentos. O CD cumpre o que promete e vai além, fruto de uma maturidade comum à família Ozzetti que, ao se dissociar das artérias do sucesso comercial, construiu uma obra consistente.


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