Bonde - Como foi tocar para mais de dez mil pessoas, no Skol Rock?
Alexandre - Foi o show da nossa vida, só alegria. Tocar para milhares de pessoas. Do palco a gente via uns malucos abrindo uma roda e dançando como os punks, do outro lado uma menina dançando, depois via uma pessoa mais velha mexendo só a cabeça devagar. Foi muito legal. Todo mundo curtindo. O tratamento da produção foi ótimo. Foi um gás a mais para detonar este ano, que foi muito bom para a banda até agora.
Bonde - Como foi a experiência de tocar num palco profissional?
Alexandre - O legal não é o tamanho do palco, mas a estrutura da organização. A empresa
contratada para realizar a troca das bandas foi a mesma do Rock'n'Rio. Os caras são feras. Dois minutos e meio depois de Os Picaretas já estávamos entrando e o Tianastácia entrou com o mesmo tempo também.
Bonde - Como foi a repercussão, não só do Skol Rock, mas também do show que vocês fizeram junto com o Rappa?
Jones - É engraçado. Este mês tocamos em Apucarana e estava escrito assim no cartaz: "Primos da Cida - atração do Skol Rock". (risos)
Rafael - Duas semanas antes do Skol Rock, todo mundo que eu encontrava na rua me falava: Vocês vão tocar no Skol Rock, estão preparados? Não fizemos nada mais do que sabemos. Quando tocamos no mesmo dia do Rappa, fizeram o mesmo tipo de comentário. As pessoas dão muito mais valor para o fato de dividirmos o palco com bandas consagradas do que nós mesmos.
Bonde - Vocês começaram a banda sem saber muito de música. Como foram os primeiros ensaios?
Alexandre - No primeiro ensaio não tinha cantor, eu sabia tocar algumas músicas, o Jones outras. Então começamos a tocar, um amigo começou a cantar e ficou como o primeiro vocalista. Assim nasceu a banda. Com o tempo, as coisas foram acontecendo, tocávamos em um churrasquinho aqui outro ali. Perguntávamos aos amigos: "Vai ter festa? Podemos levar a banda?". Pegávamos o equipamento e íamos tocar.
Bonde - Qual o show mais inusitado que vocês fizeram no começo de carreira?
Alexandre - Chegamos a tocar num domingo de manhã na chácara do Jones. Nunca me esqueço, os parentes mais velhos dele, a vó, todo mundo olhando. (risos)
Bonde - Nesta época, vocês já tocavam músicas próprias ou só faziam covers?
Alexandre - Tocávamos covers das bandas que sabíamos tocar, não era nem o que gostávamos. Era o que conseguíamos tocar. (risos)
Bonde - E como surgiu o nome Primos da Cida?
Jones - A banda não tinha nome, era mais zoeira. Então resolvemos fazer uma festa na casa de uma amiga. Uma casa perto do mercadinho do Quebec, uma casa famosa, sempre rola umas festas lá.
Alexandre - Nós organizamos a festa toda. Era uma cervejada arregada: pagava-se R$ 5 e bebia-se de graça. Ficamos na maior discussão aqui na sala para escolher o nome com o qual íamos nos apresentar. Uma hora fui beber uma água na cozinha e meu pai que estava ouvindo a discussão falou que tínhamos que colocar um nome diferente, como Primos do Zé ou Primos da Cida. Então decidimos por Primos da Cida - que nome estranho. Mas era só para aquele show.
Jones - Geralmente você vê o nome da banda e já pensa na proposta do som. Primos da Cida é nome de bloco de carnaval! O negócio é que foram umas 150 pessoas na festa. Então preferimos deixar o mesmo nome e ficou. Hoje em dia já criamos uma identidade. Se você pegar o Paralamas do Sucesso, você não pensa em paralamas famosos (risos).
Confira neste especial:
>>>> Primos da Cida conquistam o País (Parte 1)
>>>> A amizade com Chorão, do Charlie Brown (Parte 3)
>>>> Leia comentários de especialistas sobre a banda
>>>> Confira as letras dos maiores clássicos
>>>> Site oficial: www.primosdacida.com.br/