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Fundação Cultural de Curitiba garante espaço para o cinema-arte

09 mar 2001 às 17:21
Poucas são as cidades brasileiras que dispõem de um circuito de cinema de arte e independente para satisfazer as exigências dos cinéfilos de carteirinha. Em Curitiba, as três salas de exibição dos cines Ritz, Luz e Cinemateca compõem o circuito da Fundação Cultural de Curitiba. Como ele, também existem semelhantes no Rio de Janeiro (Fundação Botafogo) e São Paulo (Espaço Unibanco e Circuito Banco do Brasil). A grande diferença é que a Fundação é um órgão mantido pela prefeitura, e não pela inicitiva privada - só isso já é digno de mérito.
A programação privilegia os filmes conhecidos como artísticos ou independentes, que no Brasil têm um espaço muito restrito para exibição. "A escolha dos filmes não tem critérios fixos, mas leva muito em consideração o fato de o filme ser de arte", argumenta Paulo Biscaia Filho, 31 anos, supervisor de audiovisual da Cinemateca de Curitiba. É ele o responsável por definir quais filmes entrarão em cartaz nas três salas.
Claro que a programação não depende apenas de seu julgamento, mas também da disponibilidade das distribuidoras. "Um bom filme demora para chegar em Curitiba porque as distribuidoras fazem poucas cópias dele, geralmente seis unidades. Se o filme é bom, a cópia fica por muito tempo numa determinada cidade, até poder vir pra cá", explica Biscaia. "Por este motivo, 'Dançando no Escuro' só pôde estrear em Curitiba semanas depois do eixo Rio-São Paulo", complementa.
Partindo deste princípio, as boas bilheterias dos filmes em cartaz também colaboram para a chegada tardia dos lançamentos na FCC, afinal não tem sentido tirar de veiculação um filme que está chamando um público numeroso. A média das salas da Fundação é de 350 pessoas por semana, mas pode variar de acordo com o filme. "Buena Vista Social Club" (de Wim Wenders), por exemplo, teve uma freqüência de 1500 pessoas por semana, enquanto o polêmico "Dogma" (de Kevin Smith) teve um público até maior que isso.
É óbvio que não se deve tomar como base de comparação as bilheterias de cinemas do circuito comercial, mas em se tratando de um circuito específico, estes números são bastante expressivos. No mercado de cinema do Brasil, 86% corresponde a filmes hollywoodianos, 8% a filmes nacionais e apenas 6% a filmes de arte – público reduzido mas fiel.
Ultimamente, algumas fitas hollywoodianas foram exibidas nas salas da Fundação - "Os Contos Proibidos do Marquês de Sade" estava em cartaz até duas semanas atrás. Paulo Biscaia explicou que neste caso foi levado em consideração o diretor. Philip Kaufman, tem uma carreira de bons filmes dentro do circuito artístico, tais como "A Insustentável Leveza do Ser", "Os Eleitos" e a refilmagem de "Invasores de Corpos". "Apesar do filme ser de circuito comercial, o diretor é um cineasta de arte", defende. "Este exemplo salienta uma outra função do circuito da Fundação Cultural de Curitiba: resgatar bons filmes que ficaram pouco tempo em exibição no circuito comercial. Afinal, também há cinema independente e de arte nas grandes distribuidoras, e muitas vezes eles ficam apenas uma semana em cartaz, impossibilitados de competir com os blockbusters de Hollywood", completa. Outros filmes que seguiram este exemplo e foram muito bem sucedidos são "Boogie Nights", "A Estrada Perdida", "O Primeiro Dia" e "Celebridades" - este último permaneceu por cerca de dois meses em cartaz no circuito da Fundação.

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