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Fundador do Rappa, Marcelo Yuka morre aos 53 anos

O baterista e fundador do grupo O Rappa, Marcelo Yuka, morreu às 23h40 desta sexta-feira, 18, aos 53 anos. A informação foi confirmada pela assessoria do Hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro, onde o artista estava internado.

Reprodução/Daniela Decorso
Reprodução/Daniela Decorso


Segundo a unidade médica, a causa da morte foi um AVC isquêmico. Em respeito à família, não foi informado, por ora, o horário e local do velório de Yuka.

Marcelo Yuka, nome artístico de Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana, era um dos fundadores da banda O Rappa e, anos depois, idealizador do grupo F.UR.T.O. Sua vida sofreu uma forte guinada desde o dia em que acabou baleado em um assalto no Rio na noite do dia 9 de novembro de 2000.

Yuka tentou impedir que oito bandidos roubassem o carro de uma mulher, nas esquinas das ruas Andrade Neves e José Higino, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio. Os bandidos dispararam nove tiros no músico, todos pelas costas, e um dos disparos atingiu a segunda vértebra torácica. Ele nunca mais conseguiria andar. Em 2015, ele escreveu sobre o ocorrido em seu perfil no Facebook.

"No dia de hoje, há exatos 15 anos, 9 tiros me colocaram na cadeira de rodas... Me perdi, subi e desci ao inferno sem ter a certeza que não voltaria mais à escuridão... Se cheguei até aqui foi por amor, o amor de várias mulheres, amigos e mestres de todas as idades.... Minha mãe para positivar a data me deu esse dia como mais uma comemoração à vida, logo vou fazer 50 anos enquanto tenho 15... Obrigado a quem realmente esteve e está do meu lado durante essa jornada... Em breve, posto a letra da música que a Céu canta no meu disco, em que agradeço por não viver na paralisia do rancor. Talvez essa seja a maior virtude que ganhei... Ame fora da caixa", escreveu.

Marcelo Yuka foi um dos fundadores do Rappa em 1993, com a intenção de acompanhar o cantor caribenho Papa Winnie em suas apresentações no Brasil. O grupo tinha Nelson Meirelles, que era produtor do Cidade Negra; Marcelo Lobato (áfrica Gumbe); Alexandre Menezes, o Xandão; e Marcelo Yuka (que havia passado pela banda KMD-5).

Depois dos trabalhos com Winnie, os músicos resolveram seguir em frente e procuraram por um vocalista. Depois de anunciarem a vaga no jornal O Globo, chegaram a Marcelo Falcão. Yuka ficaria no grupo até 2001, assinando músicas que ditavam o rumo ideológico do grupo, como Pescador de Ilusões, A Feira, Minha Alma (A paz que eu não quero), entre outras.

Sua saída aconteceu depois de ficar paraplégico, com uma série de divergências entre ele e outros integrantes do grupo. O grupo F.UR.T.O, segundo o que dizia em suas entrevistas, se tratava de um projeto ainda maior, com intenções sociais, algo que não poderia fazer no Rappa.

Em uma fase mais recente, o baterista lançou um disco com o produtor Apollo 9 chamado Canções para depois do ódio, de 2017. Ali, seu combustível era biográfico, ressaltando a depressão pela qual havia passado, tratada com ioga e meditação. Yuka estava internado em estado grave no hospital Quinta D'Or, zona norte da capital fluminense.

No início deste mês, ele havia sofrido um segundo AVC (Acidente Vascular Cerebral). O primeiro havia ocorrido em agosto de 2018.
Agência Estado
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