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Internet vira o meio mais importante de divulgação da indústria musical

05 nov 2001 às 09:03

O ano de 2001 vai ficar marcado como a época em que a internet finalmente virou a mais importante mídia de promoção da indústria da música. Passada a polêmica da distribuição digital de música, a presença de videoclipes na rede transformou-se no padrão para artistas do mainstream e para os pequenos selos, em uma revolução no mercado de produção internacional. O setor, que andava em crise desde o início do processo de desmusicalização da MTV, passa a viver sua fase mais criativa desde a popularização do formato, no início dos anos 80.

A expansão do mercado de broadband é o principal responsável pelo boom dos clipes na internet. Hoje nos Estados Unidos, o número de internautas conectados por meio de cabo ou linhas telefônicas rápidas é muito maior do que o de assinantes de canais como o MTV2, por exemplo, que ainda não está disponível em várias regiões do país. No principal sistema de TV a cabo americano, o surgimento de emissoras como o VH1 Classics e Trio também não representou uma nova chance para a exposição de clipes, já que as programações são baseadas em trabalhos antigos.


Mas outros motivos estão fazendo gravadoras e artistas repensarem suas estratégias de marketing. Um deles é o padrão imposto pela MTV e outros canais de música, como o BET ou o Muchmusic. Além de definir uma série de restrições – que vão de conteúdo sexual à presença de logotipos famosos, passando, é claro, por referências a violência –, as redes mantém hoje um número muito menor de clipes no ar, e dificilmente por mais de quatro semanas, uma vida útil muito curta para o tamanho de um investimento.


Menos assumida, mas igualmente forte, é a padronização estética da MTV, que prefere clipes com estilos pré-definidos, o que representa uma limitação criativa para muitos artistas. Assim, a internet representa uma nova chance de liberdade artística. Para Bjöork, por exemplo, que recentemente causou polêmica por conta do vídeo de ‘Pagan Poetry’, em que aparece de topless, não há sentido em produzir um clipe para a televisão. ‘Não penso se vai ser exibido ou não, só quero fazer um trabalho que seja tão forte quanto a música’, disse a cantora recentemente em uma entrevista coletiva na Espanha.


A liberdade está também nos formatos que podem ser usados. Ao contrário dos canais de música, em que o padrão do uso de película cinematográfica é reforçado, na internet é possível exibir peças que misturam trechos feitos em vídeo (com produção muito mais barata), animação e outras técnicas que ainda assustam os executivos das redes. ‘Na internet, é possível misturar técnicas e a qualidade ainda fica boa, enquanto na TV a indústria está muito acostumada a usar filme, o que encarece os custos radicalmente’, diz Maria de Oliveira, que trabalha no departamento de videoclipes da Elektra, em Nova York. ‘E, claro, nas emissoras há o preconceito com os clipes feitos em vídeo.’


Se para nomes como U2 e Garbage a rede é a ferramenta perfeita para fazer com que um novo clipe esteja disponível em todo o mundo ao mesmo tempo que outras ações de marketing, para selos especializados é o impulso mais forte que já apareceu no mercado. É o caso da Astralwerks (Air, Fatboy Slim) e da Mute Records (Depeche Mode, Nick Cave, Goldfrapp), que vêm formando um público cativo com o lançamento constante de novidades de seus artistas.

Mas a internet também possibilita a criação de trabalhos puramente estéticos e não necessariamente promocionais. O Radiohead, por exemplo, produziu uma série de trechos de vídeos abstratos, que é uma das principais atrações de seu site oficial (que também foi o primeiro lugar a mostrar o clipe de ‘I Might Be Wrong’). Já Bjöork optou por estrear seu vídeo no site ShowStudio, do fotógrafo inglês Nick Knight, uma plataforma de exibição para trabalhos de fotógrafos, cineastas e profissionais da moda. A revolução tem tudo para ganhar força em 2002.


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