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Maconha traz uma maré de brasilidade em meio a ruídos eletrônicos

Rodrigo Juste Duarte
05 fev 2002 às 19:19

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Curitibano de nascença, Beto Trindade passou a morar na Inglaterra há 10 anos para dar continuidade a sua carreira de músico. Além de um trabalho solo (já comentado no Bonde anteriormente), possui um outro projeto em parceria com seu colega inglês Andy Hoggarth, voltado a experimentações eletrônicas. Só o nome do duo já é digno de comentários: Maconha. Trindade soube tirar proveito de sua condição de imigrante. Batiza uma banda com o nome sua "substância ilegal" favorita e não sofre problemas judiciais com isso, por viver em um país em que a língua portuguesa é pouco fluente. A fórmula foi usada de maneira inversa pelo grupo carioca Planet Hemp. No entanto, as músicas de Trindade e Hoggarth não dizem respeito à dita cuja. Muitas delas são instrumentais. As que não são tratam nas letras de assuntos como amor e estrangeirismo.

"Sambadub" é o nome do primeiro CD da dupla, lançado através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Antes dele, em 1998, havia um CD cemo circulando por algumas lojas de discos e redações de jornais em Curitiba. Quem chegou a ouvir esta demo vai notar grandes mudanças entre o Maconha daquela época e o de hoje. Se eles antes primavam pelo trip hop (estilo eletrônico que marcou a carreira de grupos como Portishead e Massive Attack), atualmente incorporam a música regional de seus respectivos países ao som que faziam antes.

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Tanto a música popular britânica quanto a brasileira se amasiaram com os recursos eletrônicos dos computadores de Trindade e Hoggarth, que gravaram todas as 12 faixas do CD em casa. Não precisaram gastar horrores com estúdios profissionais, mas nem por isso ficaram devendo em qualidade, pois cada som está perfeitamente audível. "Num futuro próximo, a maioria dos artistas gravarão em ambiente doméstico", prevê Rodrigo Barrros, músico das bandas Beijo AA Força e Maxixe Machine, que participou da mixagem do álbum, realizada em Curitiba.


No disco, os dois integrantes do Maconha cantaram, arranjaram e tocaram diversos instrumentos, como guitarra, zabumba, tamborim, pandeiro, baixo, teclados, cavaquinho, viola caipira, cuíca, entre outros. Meia dúzia de convidados dão suporte com seus instrumentos ou vozes. A cantora Claire Carpenter marca presença logo na primeira música, "Sometimes", com sua voz rasgada e tipicamente negra. Lembra o encontro da diva Sarah Vaughan com percussionistas da Mangueira. O palestino Mohamed Alhourani canta o Oriente Médio em "My Ayatolah". O momento mais próximo do trip hop está na atmosférica "Close", cantada por Erina Dellaney, que faz o estilo Beth Gibbons (a vocalista do Portishead).

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Nenhuma música de "Sambadub" escapa do adjetivo "exótica". Afinal, o que dizer de canções que trazem batucada, samba de breque e viola caipira convivendo em harmonia com batidas eletrônicas, samplers repetitivos e efeitos sonoros de desenhos animados? Mesmo com toda esta complexidade, o resultado é acessível. O CD tem o perfil para ser lançado nacionalmente por novos selos que investem em música eletrônica agregada com regionalismos, tais como Sambaloco e Ziriguiboom. Sua comercialização está sendo feita através do próprio Trindade pelo e-mail [email protected]


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