O Primos da Cida foi formado em janeiro de 1997, na sala ao lado de onde é hoje o estúdio da banda e onde foi gravada esta entrevista. O grupo tinha tudo para dar errado. O baixista Rafael tocava teclado dos 11 aos 14 anos e entrou na banda sem nunca ter tocado um baixo. O baterista Zé conheceu seu primeiro instrumento aos 11 anos, uma guitarra. Quando se encontraram, os cinco integrantes só tinham uma coisa definida: o objetivo em comum de evoluir 50 anos em cinco, lema plagiado do ex-presidente Jucelino Kubitschek.
"A evolução era mais nas nossas cabeças do que no som propriamente dito", recorda o vocalista Jones. "Mas se você comparar o nosso primeiro ensaio, com um show no final do ano, a evolução foi imensa", defende o guitarrista Alexandre. na entrevista para o Bonde, a banda falou de tudo um pouco. Desde o primeiro baque, na saída de Pedro, o primeiro vocalista do grupo, vinte dias antes de um show, até as loucuras e correrias que fizeram para conseguir tocar no Skol Rock e as relações com as bandas Rumbora e Charlie Brown Júnior.
Com apenas cinco anos de banda, o Primos da Cida já tem muita história para contar. Eles têm três discos demos gravados e dois CD’s lançados. O último foi saiu em julho deste ano, "Quem se importa?", uma coletânea de 23 músicas que passa por toda a carreira do Primos.
O próximo projeto é a gravação de um clipe, que está em fase de produção e deve sair em janeiro de 2002. A música será "Malicuia", escolhida pelos internautas no site do Primos da Cida (http://www.primosdacida.com.br). O vídeo vai reunir imagens do grupo no estúdio, durante apresentação no show do Rappa e também cenas que serão gravadas agora, no começo de dezembro, no litoral. Eles ainda pretendem gravar um CD no próximo ano, através da Lei de Incentivo a Cultura. "Temos várias músicas novas que estão surgindo, umas dez ou doze. Com certeza o próximo ano será melhor do que este", conta Alexandre. "Ainda melhor", emenda o baixista Rafael.
Talvez a banda não tenha evoluído os 50 anos, nestes cinco de existência, mas comparada a qualidade dos arranjos e a harmonia do grupo, pode-se observar um crescimento musical significativo. Um dos principais motivos da ascensão foi o conselho da banda Rumbora. "A gente falava com o Bacalhau (baterista) e ele disse que em 1998 o Rumbora ensaiou todo dia. Então, em 1999, nós ensaiamos todos os dias também", conta Alexandre. A dedicação valeu a pena. "Quando fomos gravar estava tudo em cima, cada nota, não tinha erro, foi fácil gravar", completa Jones. O Primos da Cida é formado por Alexandre (guitarra), Rafael (baixo), Zé (bateria), Jones (vocal/guitarra) e Negão (backing vocal), que não pode participar da entrevista pois tinha buscar um computador no Paraguai.
Bonde - Como vocês conseguiram participar do Skol Rock?
Jones - Se não tocássemos, iríamos morrer. O Alexandre e o Rafael batalharam mesmo, quase ajoelharam para a produtora. Sabe aqueles caras chatos? São eles. (risos)
Rafael - Nosso raciocínio foi o seguinte: "Somos uma banda de Londrina, com músicas próprias e que toca rock". Tínhamos que participar do evento.
Alexandre - Ficamos sabendo ia rolar a etapa de Cascavel. No dia seguinte eu e o Rafael chamamos mais dois amigos e fomos para lá. Foi a maior picaretagem, ficamos no hotel onde as bandas ficaram. Locamos um quarto para duas pessoas e ficamos em quatro. Dei uma gorjeta para a camareira e ela trouxe dois colchões. Todo o pessoal do Skol Rock nos corredores e a gente lá. Encontramos o baterista do Skank, explicamos que tínhamos uma banda em Londrina e entregamos um disco na mão dele.
Rafael - Entregamos um para o grupo Tianastácia. E também um CD para a diretora artística do Skol Rock. Ela falou que tinha recebido vários discos de Londrina, mas que tinha chegado muito som MPB e eles queriam bandas mais voltadas ao rock.
Confira neste especial:
>>>> De onde vem esse nome
>>>> A amizade com Chorão, do Charlie Brown
>>>> Leia comentários de especialistas sobre a banda
>>>> Confira as letras dos maiores clássicos
>>>> Site oficial: www.primosdacida.com.br/