Notícias

Taiko no Tomate Seco

28 fev 2007 às 17:28

HOMENAGEANDO O DIA DA MULHER O GRUPO DE TAIKO ISHINDAIKO SE APRESENTA NESSA QUINTA-FEIRA DIA 08 ÀS 21:00hrs NOS JARDINS DO TOMATE SECO CAFÉ TEATRO


1. INTRODUÇÃO SOBRE TAIKO – HISTÓRICO


A palavra Taiko designa tanto os tambores quanto a arte de percuti-los.


O significado estrito de Taiko é "Grande Tambor", mas existe uma enorme variedade de formas e tamanhos, e sendo também classificados de acordo com o número de faces, técnicas de fixação do couro, formato e método de percussão.


Desde a antiguidade os tambores têm papel importante na cultura japonesa, seja nos vilarejos, no teatro, nas festividades, na religião e até em guerras.


A mais antiga prova física do Taiko no Japão é uma figura de argila haniwa de um batedor de tambor, do século V ou VI. Entretanto, como os primeiros instrumentos de qualquer sociedade tendem a ser de percussão, provavelmente ele já é utilizado no Japão há mais de 2000 anos.


O Taiko, cujo som pode alcançar longas distâncias, funcionou como sinalizador de várias atividades nos vilarejos: batidas de Taiko significavam que homens saíam à caça ou que uma tempestade estava chegando, avisando às mulheres que recolhessem a carne ou as frutas postas a secar.


Este instrumento, capaz de emitir um som místico encantando a todos que ouvem, é amplamente utilizado em festividades e cerimônias religiosas. É comum encontrá-lo tanto em templos budistas e xintoístas, como nos eventos folclóricos populares e nos mais refinados cenários culturais japoneses, tanto na música como no teatro.


Nos idos da era Bélica Japonesa, que corresponde à Idade Média ocidental, o Taiko era usado em batalhas para elevar o moral dos comandados e intimidar os inimigos, transmitir ordens e coordenar as ações de guerra. Pinturas da época retratam um soldado carregando um Taiko preso às costas, e outros dois batendo o tambor, um de cada lado.


Apesar da origem remota, utilizar vários tambores e percussionistas como centro de uma peça musical é um fenômeno pós-guerra e foi idealizado por uma lenda viva: Daihachi Oguchi. O professor Oguchi foi um baterista de Jazz que reuniu diversos taikos em seus mais variados timbres para executar uma partitura junto a outros tocadores, criando o taiko moderno. Chamado de Kumi-daiko (taiko em grupo), hoje é disseminado em diversos países da Europa, nos Estados Unidos, Canadá e Austrália.


Entre os conhecimentos técnicos do taiko, destacam-se os cuidados com os instrumentos, vestimentas adequadas, postura, técnicas de respiração, ritmo, modo de segurar as baquetas, e a leitura das partituras específicas. É fundamental que o instrumentista não só treine cada música várias vezes (´renshyu), mas aprimore-se a cada performance, acrescentando detalhes a cada vez (tanren), repetindo assim o que acontece quando se forja uma espada (o aço deve ser aquecido e malhado várias vezes para que a espada adquira sua forma e corte definitivo).


A arte do Taiko envolve não só conhecimentos musicais, mas principalmente filosóficos. Segundo o mestre Watanabe (Professor de Primeiro Grau de Taiko e líder do Taikoshudan Amanojaku, tradicional grupo de Taiko de Tókio) existe o "Caminho do Taiko", que encerra aspectos fundamentais da cultura e etiqueta tradicional japonesa. O crescimento no Taiko deve ser realizado sobre quatro pontos fundamentais: corpo, técnica, sentimento e reverência. O "taikouchi" (tocador de taiko) deve aprimorar sua forma física e o desenvolvimento espiritual. "Para que a audiência sinta o espírito da batida, o percussionista deve ser parte do taiko", diz o mestre. Salienta que sem confiança nas suas próprias habilidades e no seu potencial não adianta sequer iniciá-lo, reforçando que se deve construir seu caminho analisando o passado para forjar seu futuro.



2. HISTÓRICO DO GRUPO ISHINDAIKO


O grupo Ishindaiko foi fundado em Novembro de 2003 por três jovens amantes do Taiko, na cidade de Londrina, pólo regional do norte do Paraná. O nome Ishindaiko é formado pelos ideogramas em Kanji: Ishin = um só coração e Daiko = o mesmo que taiko. A tradução, seria o espírito de união do grupo através do taiko.


Como a maioria dos grupos de taiko no Brasil, começou modesto. Possuíam poucos instrumentos, repertório simples e técnica ainda imatura. Mas cresceu devido à força de vontade dos membros e do apoio constante dos incentivadores, como o Dr. Atsushi Yoshii - padrinho do grupo, e o Banco Sudameris que através de seus diretores participa com patrocínio, sugestões, palestras e estímulo fraterno.


Desde o início, a amizade e a confraternização foram fortes entre os integrantes, que viam no taiko não só um instrumento, mas sim uma atividade prazerosa e um símbolo de união.


Ao longo dos anos o Ishindaiko recebeu aulas de diversos professores, aumentou seu repertório, adquiriu novos instrumentos, recebeu e ensinou dezenas de percussionistas e se apresentou em diversas cidades, em eventos como jantares, festivais, aniversários, casamentos, programas de televisão, shows de taiko, etc.


Os treinos do Ishindaiko são realizados na Chácara St. Peter, nos arredores de Londrina. Além de ensaiar as músicas e apresentações, o grupo realiza a concentração, alongamento, aquecimento, exercícios físicos, composição de novas músicas e meditação. Além da importante confraternização entre membros, familiares e visitantes.


O Grupo também conta com o apoio dos pais e mães. Os pais auxiliam no transporte, fabricação e manutenção dos instrumentos. As mães fazem lanches, refeições e ajudam a confeccionar os uniformes. A participação da família tem sido fundamental para o grupo.


Com 6 meses de existência, o grupo conquistou o quinto lugar no I Campeonato Brasileiro de Taiko, realizado no Bunkyo em São Paulo (com a composição própria Shyakudozan – montanha de terra rubra).


Em 2005 sagrou-se campeão da categoria livre (com a composição própria Fubuki – Tempestade de Neve).


No dia 8 de julho de 2006 o Grupo sagrou-se Campeão Brasileiro de Taiko da Categoria Junior (Ikazuchi - composição própria) e Vice-campeão da Categoria Adulto, do III Campeonato Brasileiro de Taiko (Yukidoke - composição própria). Este é o maior evento brasileiro desta arte e foi realizado pela Associação Brasileira de Taiko no Grande Auditório Celso Furtado do Anhembi.



3. ISHINDAIKO NO JAPÃO


O campeão da categoria júnior, além dos troféus, ganhou o direito de representar o Brasil no 9th Junior Taiko Contest, a convite da Nippon Taiko Foundation, que será realizado em Kyoto-Japão, no dia 25 de março de 2007.


A comitiva do Ishindaiko partirá para o Japão no dia 20 de Março com a alegria de conhecer um novo país e a carga de responsabilidade por representar o Brasil no outro lado do mundo, competindo com as melhores equipes do Japão. Durante sua estada no Japão fará apresentações em mais duas cidades: Gifu e Shiga.


Como parte da preparação para as apresentações no Japão, o Grupo Ishindaiko, com o apoio da Associação Brasileira de Taiko e patrocínio da Nippon Taiko Foundation, recebeu nos dias 16, 17 e 18 de julho de 2006, o professor Yoichi Watanabe, do Grupo Amanojaku do Japão, que transmitiu ao Ishindaiko a música de sua composição Kenkayatai, que será apresentada no campeonato japonês. O mestre Watanabe é um dos 20 professores que têm o 1° grau (Ikkyu) num país com 200 mil praticantes de taiko.


A música Kenkayatai tem este nome devido ao embate entre os diversos instrumentos, com diferentes coreografias e sons simultâneos, que dificulta a execução eleva seu nível. São utilizados kanê, shimedaikos, okedodaikos normais, okedodaikos inclinados (nanamê) e 2 oodaikos. A música emociona a todos pela beleza sonora, harmonia e intensa energia.

O grupo conta hoje com 25 membros com um repertório de mais de 30 músicas, entre composições japonesas e próprias, sempre executadas com a vitalidade, energia e potência que se tornaram características marcantes do Ishindaiko.


Continue lendo