A notícia merece um brinde. O anúncio é da gravadora Universal, que promete para o primeiro trimestre de 2002 o lançamento de uma caixa com 14 CDs de Nara Leão (1942–1989), a musa da Bossa Nova.
O projeto intensifica o revival em torno da cantora, cuja trajetória foi guindada à berlinda em três livros publicados nesta temporada: a biografia assinada por Sérgio Cabral, a coletânea de artigos e crônicas ‘A Onda Que Se Ergueu No Mar’ de Ruy Castro, e o volume ensaístico ‘Teatro Opinião’ de autoria de Maria Helena Kuhner e Helena Rocha.
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Nara, enfim, sai das sombras do esquecimento. O tesouro fonográfico vai reunir os 13 primeiros álbuns da cantora – de ‘Nara’ (1964) a ‘Meu Primeiro Amor’ (1975) – e uma compilação de raridades garimpada nos arquivos da antiga PolyGram. A reedição é histórica, já que apenas três títulos haviam saído em CD, sendo que o último lançamento – o álbum ‘Dez Anos Depois’ – circulou há três anos exclusivamente entre os assinantes do Music Club, uma empresa que vende discos por marketing direto.
Os discos voltam remasterizados, com reproduções das capas e contracapas originais, além de faixas-bônus contendo gravações ao vivo e versões das músicas em outras línguas. Uma coleção de fotos cedidas pela família e um libreto com texto biográfico completam a peça. Segundo o pesquisador Marcelo Froes, coordenador do projeto, a empreitada vai finalmente trazer a voz doce e delicada de Nara ao formato digital.
‘Muito do que saiu no Japão, é de péssima qualidade’ – garante ele. ‘Lá, eles têm cuidados com a qualidadade gráfica, mas deixam a desejar na parte da remasterização. Já ouvi queixas de muitos artistas sobre isso. Todos dizem que o som sai abafado, anulando os timbres de alguns instrumentos. Os discos de Nara foram lançados assim e em tiragem limitada’.
Toda a discografia da cantora consta no catálogo da PolyGram, incluindo seu LP de estréia pela Elenco, cujo acervo foi adquirido pela major. A caixa vai trazer os seguintes títulos: ‘Nara’ (1964), ‘Opinião de Nara’ (1964), ‘O Canto Livre de Nara’ (1965), ‘Show Opinião’ (1965), ‘Nara Pede Passagem’ (1966), ‘Manhã de Liberdade’ (1966), ‘Liberdade Liberdade’ (ao vivo, 1966), ‘Vento de Maio’ (1967), ‘Nara’ (1967), ‘Nara Leão’ (1968), ‘Coisas do Mundo’ (1969), ‘Dez Anos Depois’ (duplo, 1971) e ‘Meu Primeiro Amor’ (1975).
Este último álbum foi gravado sem qualquer pretensão reunindo cantigas que ela cantava para seus filhos. O repertório traz músicas como ‘Atirei o Pau no Gato’, ‘Casinha Pequenina’ e ‘Upa! Upa!’. Para divulgá-lo, ela não programou nenhum show de lançamento limitando-se a dar entrevistas a alguns jornais. Foi o disco menos vendido de sua carreira. Mesmo assim, o LP rendeu-lhe o prêmio de Melhor Cantora do Ano pela prestigiosa Associação Paulista de Críticos de Arte.
Atrativo extra da caixa, o 14ª CD será uma coletânea de relíquias extraídas de discos prensados em pequenas tiragens a partir da participação da cantora no Midem e em outros eventos promovidos pela indústria fonográfica. O material vai incluir versões de músicas em espanhol e francês, cujo objetivo na época era alavancar sua carreira no exterior.
A Folha2 tentou obter mais detalhes sobre a retrospectiva de Nara pela Universal com José Celso Guinda, o responsável pelos projetos especiais da gravadora, mas sua assessoria informou que ele se encontra de férias. Marcelo Froes, contudo, acredita que o restante da discografia da cantora deverá sair posteriomente em lançamento avulsos. Tim-tim.