Se em 2001 a maior parte dos shows internacionais que aportaram no Paraná eram de artistas mais alternativos, em especial os de indie rock e hardcore, em 2002 este perfil deverá se manter, ao que tudo indica. Pelo que foi observado, cidades como Curitiba, Londrina e Maringá (as que mais recebem grupos estrangeiros) possuem público e infra-estrutura para receber dois tipos de atrações: 1) bandas de pequeno porte, e 2) artistas que já fizeram muito sucesso e hoje estão menos cotados no showbusiness. Por que? Seus cachês são economicamente viáveis.
Bandas que estão fazendo muito sucesso dificilmente teriam um show agendado nestas cidades devido ao alto custo. Um bom exemplo é o metal moderno Korn, que se apresenta em São Paulo nos dias 11 e 13 de março no Credicard Hall. O produtor curitibano Beto Toledo entrou em contato com a produção para saber quanto custaria trazê-los para a capital paranaense. A resposta foi assustadora: 50 mil dólares. Um valor completamente inviável. Não há tanto público na cidade para cobrir este preço.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Medalhões do metal
Sendo assim, é melhor investir em atrações menores mas que garantam um público razoável. Toledo já tem quatro shows confirmados para Curitiba. Em fevereiro, será o da banda Edguy, um metal melódico semelhante ao Helloween, mas puxado para o hard rock. O metal gótico norueguês Sonata Artica deverá vir em março. Se estes nomes são um tanto obscuros, os próximos são mais familiares. Blaze Bailey, ex-vocalista do Iron Maiden, virá tocar em abril, e o heavy metal tradicionalíssimo do Saxon em maio. Ainda não estão confirmados, mas há grandes chances dos curitibanos presenciarem também os shows de Gamma Ray e do poderoso Slayer, a banda mais rápida do planeta, fundadora do thrash metal, mesmo estilo do grupo Sepultura.
Psychobilly, ska, hardcore e outras pancadas
Na praia do hardcore e estilos similares, também há boas espectativas em Curitiba. O produtor Vicente Bueno está à beira de fechar as negociações do show do ska-core Mustard Plug. Provavelmente o local do show vai ser o consagrado espaço alternativo 92 Degrees. "Se tudo correr bem, deverão acontecer shows do Less Than Jake e Agnostic Front em abril, The Cramps em junho e Milencollin e Satanic Surfers no segundo semestre", adianta Bueno. Todas estas atrações vão chegar ao Brasil através da produtora paulista Ataque Frontal, que vende seus shows para produtores locais, como é o caso.
O time citado é bem variado. Less Than Jake toca ska-core. Agnostic Front é uma autêntica lenda viva do furioso hardcore de Nova Iorque. Millencollin faz a praia hardcore melódico. Satanic Surfers junta punk rock com surf music. Enquanto The Cramps foi uma dos primeiros grupos psychobilly do planeta, que influenciou gerações. Boatos sobre a vinda desta banda ao Brasil já acontecem desde o fim dos anos 80. Os fãs já aprenderam a ser devotos de São Tomé diante deste rumor e só acreditam na notícia vendo os Cramps em carne e osso.
O também psychobilly Reverend Horton Heat estava para vir ao Brasil, mas ao que tudo indica, a Ataque Frontal (responsável por sua vinda) não estava dando certeza sobre o artista. Vladmir Urban, vocalista da banda psycho Os Catalépticos, confirmou a volta dos holandeses Cenobites entre fim de fevereiro e início de março. "Estamos em contato com muitas bandas de fora que demonstram interesse em tocar aqui. Até o fim do ano pode ser que venham mais duas bandas psychobilly gringas", anima-se Vlad.
Pode ser que a revelação do rock americano The Strokes venha ao Brasil no final de abril ou maio. Seu baterista, Fabrizio Moretti, é brasileiro e está ajudando a negociar as apresentações. "Eles devem tocar em São Paulo, mas o show de Curitiba não é certeza. A banda parece estar dividida entre tocar no Paraná ou em outro país", alega Bueno.
Londrina se garante no indie rock
The Strokes é atualmente uma das bandas queridinhas do meio indie. Neste segmento, a produtora mineira Motor Music vem se dedicando desde 1997, trazendo artistas de fora e vendendo seus shows pelo Brasil. No Paraná, a produtora londrinense Madame X toma a dianteira, garantindo a vinda a Londrina de quatro grupos trazidos pela Motor. A razão disto é a aprovação de um projeto pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que vai pôr em funcionamento o Circuito Londrino de Shows Internacionais.
Os nomes programados são Stephen Malkmus (ex-vocalista da lendária banda Pavement) em março, Guided By Voices em maio, Stereolab em julho e Superchunk em setembro. "Mesmo que a motor cancele algum destes shows, podemos substituir pelo de outro artista. Dependendo das despesas de produção, o número de shows poderá ser extendido para cinco ou até seis", explica Eduardo Martins, sócio da Madame X Produções.
É possível que a cidade vizinha Maringá receba nomes internacionais, mas tudo depende dos custos e da existência de local apropriado para shows. Os produtores londrinenses e maringaenses são amigos e estão sempre em contato para que espetáculos do tipo sejam viabilizados nos dois municípios. Em Curitiba ainda não há garantias para os shows da Motor, mas eles costumam acontecer, em sua maioria. No ano passado, os produtores Odilon Merlin (do bar Era Só O Que Faltava) e Manoel Neto (Mais Records) foram responsáveis por alguns deles.
Outras especulações
Todos os nomes citados ainda estão sendo negociados pela produtora mineira, que também arquiteta a visita do viajandão Mogwai (agosto ou setembro), da dupla barulhenta White Stripes (outubro ou novembro) e do punk vigoroso Fugazi (sem data certa) ao país. Pela Ataque Frontal também poderá vir o duo eletrônico Crystal Method. Correm por fora rumores sobre Flaming Lips, Tindersticks, Matmos e Lambchop no segundo semestre. Em outubro, Radiohead e Björk devem fazer parte da escalação do Free Jazz. No alto escalão, fala-se em shows do Pearl Jam e U2 em solo nacional.