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MUNDIAL DO CATAR

Histórico de lesões assombra jogadores e torcida em ano de Copa do Mundo

Redação Bonde com Agência Brasil
18 abr 2022 às 09:02
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A Copa do Mundo de 2022 ainda demora um pouco para começar. Devido às altas temperaturas no meio do ano no Catar, país-sede do evento, o Mundial terá início no final de novembro. Mas isso não afasta o medo de um dos grandes fantasmas que assombram jogadores e torcida: as lesões.

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Em toda Copa do Mundo, a história se repete: grandes nomes do futebol mundial desfalcam suas seleções por lesões ocorridas às vésperas do torneio. Ninguém está a salvo: o espanhol Di Stefano, o holandês Marco Van Basten e o francês Franck Ribéry são alguns dos grandes nomes do futebol mundial em suas épocas que perderam a chance de disputar um Mundial por lesões. O Brasil também sofre frequentemente com o problema. Jogadores como Romário, Daniel Alves e Careca se machucaram às vésperas de uma Copa e foram cortados.

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Lesões na coxa são as mais comuns


As lesões mais comuns sofridas por jogadores de futebol são na coxa, mais precisamente no músculo posterior. As lesões costumam ocorrer na hora de desaceleração da corrida. A musculatura anterior da coxa também é outra que sofre muitas lesões.


“Os anteriores de coxa, ou quadríceps, são mais lesionados durante o chute ou na fase de aceleração para a corrida. Também são frequentemente lesionados em atletas de futebol, mas em menor proporção [em comparação com os músculos posteriores]”, explica Bruno de Melo e Silva, especialista em fisioterapia esportiva e fisioterapeuta da seleção dos Emirados Árabes Unidos.

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Joelho é o maior vilão


A lesão mais grave que atinge um jogador de futebol costuma ser no joelho, mais precisamente no chamado LCA (Ligamento Cruzado Anterior). “A lesão do ligamento cruzado anterior é a mais grave, por deixar o atleta muito tempo em inatividade. Normalmente precisa de cirurgia e o tempo de retorno gira em torno de nove a 12 meses”, afirma Bruno.


Foi justamente uma lesão no LCA que tirou o lateral-direito Daniel Alves da Copa de 2018, na Rússia. Lesões no joelho também impediram o lateral-direito Leandro a jogar a Copa de 1986, no México, e tiraram o meia Edmílson da Copa de 2006, na Alemanha.


O retorno de um atleta à prática do esporte vai além da cura de uma lesão. O tempo parado provoca perda de condicionamento físico e o período para essa recuperação também deve ser considerado em uma preparação de volta aos gramados. Bruno Melo e Silva destaca ainda a parte psicológica, já que muitas vezes o atleta fica com medo de sofrer uma nova lesão e isso dificulta seu retorno.


“Durante o período de reabilitação, o fisioterapeuta deve trabalhar a parte muscular, músculos não envolvidos na lesão e a parte cardiorrespiratória, para tentar manter o mínimo de condicionamento físico do atleta. Para o retorno ao esporte, em alto rendimento, o atleta que teve uma lesão muscular pode levar em torno de uma a duas semanas para alcançar o seu pico de condicionamento novamente”.


Calendário de 2022 como aliado


Geralmente as Copas do Mundo ocorrem no meio do ano, com os jogadores vindo de uma temporada inteira disputada na Europa. Ao contrário do calendário do futebol brasileiro, os principais torneios da temporada europeia começam em agosto e terminam em maio do ano seguinte. Com isso, vários jogadores, inclusive os da Seleção Brasileira, cuja maioria atua em times da Europa, chegam à Copa fisicamente desgastados após vários meses ininterruptos de jogos e treinos.


Mas o Mundial de 2022 traz um cenário incomum. Com seu início previsto para 21 de novembro, a temporada europeia será interrompida na metade. Para o fisioterapeuta da seleção dos Emirados Árabes, isso pode ser um fator positivo na prevenção de lesões. “Teoricamente, a tendência é de que os jogadores cheguem mais inteiros para essa Copa. Mas não podemos afirmar, porque essa é a primeira vez que isso acontece”.


Seleção Brasileira


A considerar as últimas convocações da Seleção, tudo indica que o técnico Tite tem boa parte dos nomes já definidos. Nessa lista, alguns jogadores têm histórico de lesões, mas poucos atletas apresentaram problemas físicos nos últimos meses. E quase todos estão em plena atividade.


A exceção é Antony, mas ele pode se beneficiar do calendário da Copa do Catar. O atacante do Ajax está se recuperando de lesão no tornozelo sofrida no último jogo da Seleção, pelas eliminatórias da Copa, contra a Bolívia. A expectativa é de uma recuperação até maio.


Já Neymar não teve em 2021 um dos seus melhores anos. Uma lesão no tornozelo após entrada violenta de um adversário, ainda em dezembro de 2020, o tirou dos gramados por quase um mês. Após seu retorno, sofreu nova lesão. Dessa vez, na coxa, após outra entrada de um adversário. Dores na coxa também afetaram o atacante brasileiro em outubro e novembro do ano passado. Por fim, uma lesão nos ligamentos do tornozelo sofrida no final de novembro deixou Neymar cerca de dois meses parado.


O principal nome da Seleção não costuma ter sorte em anos de Copa. Em 2018, sofreu uma fissura em um osso do pé direito e quase não se recuperou a tempo de jogar a Copa. No Mundial anterior, no Brasil, Neymar sofreu uma joelhada nas costas na partida contra a Colômbia, nas quartas de final. A pancada fraturou uma vértebra da lombar do atacante e o tirou da sequência da Copa.


O lateral direito Danilo, da Juventus-ITA, sofreu com lesões durante a Copa de 2018 e desfalcou o Brasil nas partidas decisivas. Agora, ele vem de uma lesão na coxa, sofrida em novembro do ano passado, que o deixou dois meses parado. Já o meia Philippe Coutinho, que retornou às convocações após muito tempo longe da Seleção, machucou o joelho no final de 2020, quando ainda jogava pelo Barcelona, e ficou cerca de sete meses sem jogar.


Cortes da Seleção em Copas


Em todos os casos a seguir, o Brasil perdeu jogadores importantes, algumas vezes fundamentais, às vésperas de uma Copa do Mundo. Confira abaixo alguns dos cortes por lesão que desfalcaram o Brasil em Copas:


Pelé (1962): Seria a Copa da afirmação de Pelé como o grande jogador que o mundo já sabia que ele era, após o mundial de 1958. Marcou um gol na vitória sobre o México, na estreia, mas a partida seguinte foi sua última naquela Copa. Uma distensão na coxa, ainda no primeiro tempo contra a Tchecoslováquia, derrotou Pelé. Na ausência do Rei, brilhou a estrela de Garrincha. Com o Anjo das Pernas Tortas, ladeado por Didi, Zagallo, Vavá e Amarildo, que substituiu Pelé, o Brasil foi bicampeão mundial.


Clodoaldo (1974): Titular de uma das maiores seleções que o mundo já viu, o Brasil de 1970, Clodoaldo era nome certo para a Copa de 1974. O volante acabou sofrendo um estiramento na coxa e foi cortado por Zagallo, treinador à época. O atacante Mirandinha foi convocado para o seu lugar, mas sua vaga como volante foi preenchida pelo zagueiro Piazza, improvisado. O Brasil terminou em quarto lugar naquele mundial, perdendo a disputa de terceiro lugar para a Polônia.


Careca (1982): À época no Guarani, o centroavante sofreu uma distensão na coxa e o departamento médico da seleção entendeu que não havia tempo hábil para que Careca se recuperasse. Roberto Dinamite, do Vasco, foi convocado em seu lugar.


Leandro e Cerezo (1986): O lateral-direito do Flamengo lesionou o joelho às vésperas do embarque da seleção para o México. A delegação só descobriu a lesão no dia do embarque, quando o jogador não apareceu. Segundo relatou Elzo, meio campo daquela seleção, o meia Zico e o técnico Telê Santana foram à casa de Leandro e o encontraram com o joelho inchado. Em seu lugar, foi convocado Josimar. Já Toninho Cerezo sofreu uma lesão no músculo da coxa meses antes. Passou três meses em tratamento e acreditava que se recuperaria a tempo. Mesmo assim, o corte foi confirmado. Quinze dias depois do corte, o meia estava em campo pela Roma, na final da Copa da Itália.


Mozer e Ricardo Gomes (1994): Pouco antes da Copa dos Estados Unidos, o Brasil perdeu sua provável dupla de zaga titular. Mozer foi descartado pela comissão técnica após exames médicos constatarem um quadro de hepatite tóxica, por uso de medicamentos em excesso. Contrariado, o zagueiro da Copa de 1990 foi cortado. Já Ricardo Gomes sofreu uma lesão na coxa em um amistoso preparatório para o mundial e também deixou o grupo que pouco depois seria campeão mundial. Ricardo Rocha se tornaria o titular da defesa, mas se tabmém se machucou logo na primeira partida. Não foi cortado, mas não jogou mais aquela Copa. A zaga do Tetra foi formada por Aldair e Márcio Santos.


Juninho Paulista (1998): Juninho vivia ótima fase no Atlético de Madrid em 1998. Seu nome era dado como certo para a Copa do Mundo, mas em fevereiro, em uma partida contra o Celta de Vigo, o meia brasileiro sofreu uma entrada violenta de um adversário, que quebrou seu tornozelo. Juninho se recuperou antes da previsão dos médicos, mas o tempo parado o tirou do radar do técnico Zagallo e ele ficou de fora da lista para a Copa.


Márcio Santos (1998): O zagueiro titular do Tetra também era cotado para disputar a Copa da França. O zagueiro sofreu uma lesão na coxa na final do Campeonato Paulista, entre São Paulo e Corinthians, mas não se preocupou. Dias depois, apresentou-se à seleção e afirmou que se recuperaria a tempo. Mas não foi o suficiente para convencer o médico da seleção à época, Lídio Toledo. Ele cortou o zagueiro, que entraria em campo pelo São Paulo, já recuperado, menos de uma semana depois.


Romário (1998): O melhor jogador da última Copa faria dupla com o melhor jogador do mundo de 1997. Não havia um brasileiro sequer que duvidasse do título mundial na Copa de 1998, com um ataque formado por Romário e Ronaldo. Se em 1994 tínhamos sido campeões, com o mais novo craque do futebol mundial entrando naquele time, o título parecia certo. Mas a poucos dias da estreia e já na França, Romário sofreu uma lesão na panturrilha e foi cortado. O atacante não concordou com o corte e afirmou que se recuperaria a tempo de jogar as partidas decisivas, mas não teve jeito. Sem Romário e com um Ronaldo apático, após sofrer uma convulsão na noite anterior, o Brasil perdeu a final para os donos da casa por 3 a 0.


Emerson (2002): O substituto de Romário em 1998 acabou vivendo o outro lado da mesma moeda na Copa seguinte. O volante Emerson, que pouco fez em 1998, se tornaria um dos pilares da Seleção quatro anos depois. Mas a dias da estreia na Copa, Emerson sofreu uma lesão no ombro quando jogou de goleiro num “rachão” (partida recreativa) depois do treino. A lesão tirou sua chance de levantar a taça, já que era capitão daquele time. O meia Ricardinho entrou em seu lugar.


Edmílson (2006): Um dos destaques defensivos do Brasil pentacampeão de 2002, Edmílson voltaria a vestir a Amarelinha na Copa da Alemanha. Na reta final da preparação para o Mundial, o volante brasileiro sentiu uma lesão no joelho direito. Exames confirmaram uma ruptura no menisco e ele acabou cortado da Seleção. O também volante Mineiro foi o substituto.


Daniel Alves (2018): Com o fim da Era Cafu na lateral-direita da Seleção Brasileira, a vaga na posição passou a ser disputada por Maicon e Daniel Alves. Na Copa de 2010, Maicon foi o titular, com Daniel na reserva. Em 2014, a situação se inverteu, mas Daniel acabou perdendo a posição para Maicon nas quartas de final. Em 2018, porém, ele era soberano na posição e considerado um dos líderes do vestiário. Mas uma lesão no joelho durante uma partida pelo seu time à época, o Paris Saint-Germain, da França, o tirou da Copa. Fagner, do Corinthians, entrou no seu lugar e acabou jogando várias partidas na Copa da Rússia. Isso porque o herdeiro natural da posição, Danilo, também se machucou durante a competição.

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