Sentar, deitar, agachar, levantar pernas e pés são movimentos muito simples. Mas experimente fazer tudo isso em cima de uma bola gigante. Impossível? Utilizada para melhorar a postura e tratar sequelas de acidente vascular cerebral (AVC), a fisioterapia com bola suíça vem ganhando espaço na área desportiva, turbinando o condicionamento físico de atletas. Quem explica é o fisioterapeuta João Douglas Gil, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele esteve em Londrina no último fim de semana ministrando o curso ''Therapy and Exercise Ball - Da Reabilitação ao Treinamento'', para profissionais e estudantes de fisioterapia.
Segundo Gil, é justamente o fato da bola ser uma estrutura instável que se torna uma ferramenta útil para trabalhar o equilíbrio e aumentar a força muscular. Para os atletas, a técnica se torna especialmente útil porque uma musculatura melhor definida, além de melhorar a performance, significa mais proteção dos ligamentos contra as lesões. Não é à toa que a técnica com bola foi agregada ao treinamento do time de base do Corinthians como forma de prevenção de lesões (leia texto ao lado).
Chamado de treinamento funcional, a idéia da utilização da fisioterapia com bola no esporte é reproduzir gestos esportivos em cima da bola. A terapia funciona como um treino para a articulação, que fica mais protegida pela musculatura, e preparada para receber as cargas típicas de uma competição esportiva. ''Além disso melhora o condicionamento cardiorrespiratório e a consciência corporal'', aponta o fisioterapeuta.
Além do trabalho de conscientização corporal, de ganho de força, e melhora da coordenação motora e equilíbrio, o uso da bola, segundo o fisioterapeuta, também é extremamente interessante para a prevenção de problemas posturais. ''Ao sentar na bola, automaticamente já assumimos uma melhor postura'', afirma a estudante de fisioterapia Etienne Duim Nardini, que já fez o curso. ''A estrutura instável é um estímulo maior para reorganizar a postura'', completa Gil.