Corpo & Mente

Causa-efeito da depressão à disfunção sexual

31 dez 1969 às 21:33

Falar sobre sexo e saúde mental ainda causa bastante constrangimento e são verdadeiros tabus para grande parte das pessoas. Mas a psiquiatra e psicoterapeuta, Carmita Abdo, uma das maiores especialistas em medicina sexual do Brasil, consegue abordar os assuntos de forma esclarecedora e objetiva em seu novo livro "Da Depressão à Disfunção Sexual (e vice-versa)".

Este manual apresenta os dois problemas e a relação causa-efeito, que muitas vezes desafia a experiência do psiquiatra. O livro serve como um guia extremamente atual sobre diagnóstico e tratamento, e estimula o médico a perceber e valorizar o que o paciente desejaria e deveria saber sobre dificuldades sexuais e como superá-las, mas que freqüentemente não se atreve a perguntar.


Apesar do constante medo de falhar, muitos homens alardeiam que nunca passaram por essa situação. Mas os números mostram que a realidade não é bem essa: 45,1% dos homens brasileiros apresentam o problema, segundo o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro (EVSB)1. É impossível dissociar mente e corpo quando o assunto é ereção, pois o processo não se limita ao pênis – inicia-se no cérebro, com um estímulo erótico que pode ser visual, tátil, olfativo, etc.


Fantasia


Em muitos casos, uma simples lembrança ou uma fantasia pode ser um estímulo para uma ereção. A partir daí, o cérebro envia uma "mensagem" aos nervos e artérias do pênis, que iniciam a produção de substâncias para relaxar a musculatura e dilatar as artérias dos corpos cavernosos. Como conseqüência, mais sangue entra pelas artérias, os corpos cavernosos ganham volume e o pênis aumenta de tamanho. À medida que isso acontece, as veias são comprimidas, bloqueando a saída do sangue e mantendo o pênis rígido e ereto.


Uma falha ocasional não significa que o homem tenha disfunção erétil. Isso pode ocorrer em momentos de muita ansiedade, estresse intenso e preocupação excessiva. Tecnicamente, a disfunção erétil é a incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção rígida suficiente para uma atividade sexual satisfatória. Por isso, quando a falha deixa de ser ocasional e passa a ser recorrente é preciso procurar ajuda para o problema.


Estima-se que 152 milhões de homens no mundo tenham o problema atualmente, mas acredita-se que este número irá crescer. Como a disfunção erétil está ligada a doenças cardiovasculares, neurológicas e psicológicas, a tendência é que a incidência destes problemas aumente. Os casos de homens com disfunção erétil serão ainda mais comuns no futuro, chegando a 322 milhões de homens em 2025, segundo estimativas médicas.


Causas


As causas da disfunção erétil, que é dividida em três graus – leve, moderada e grave – podem ser orgânicas ou psicológicas. A maioria dos casos possui aspectos psicológicos, e as causas orgânicas (presentes em 30% dos casos) estão ligadas a doenças como hipertensão, diabetes, colesterol e hábitos como tabagismo, que danificam os vasos sangüíneos presentes em todo o corpo humano, inclusive no pênis. Entre os principais fatores psicológicos estão a ansiedade do homem em relação ao desempenho sexual, conflitos conjugais, problemas com a auto-imagem, baixa auto-estima, estresse, problemas com o meio social ou profissional, fatores de desenvolvimento e educação (crenças sexuais errôneas), transtornos sexuais e psiquiátricos (depressão, ansiedade, psicoses).


A depressão, um transtorno de humor que também afeta corpo e mente, ainda tem causa desconhecida. Porém, a teoria neuroquímica é amplamente aceita: aponta uma disfunção no sistema nervoso central como responsável pela doença. A diminuição de dois neurotransmissores – a serotonina e a noradrenalina – no sistema nervoso central provoca o aparecimento dos sintomas emocionais e físicos da depressão.


A doença manifesta-se por sintomas emocionais e físicos, também é conhecida como Transtorno Depressivo Maior (TDM), e caracteriza-se pela combinação de sintomas que interferem na habilidade para trabalhar, estudar, comer, dormir e apreciar atividades antes agradáveis.


Sintomas


Apesar de conhecida principalmente pelos sintomas emocionais, como perda de interesse e prazer, os pacientes também apresentam sintomas físicos. Os sintomas da depressão podem variar de pessoa para pessoa e podem incluir:


• Sintomas emocionais: tristeza, perda de interesse, ansiedade, angústia, desesperança, estresse, culpa, ideação suicida.


• Sintomas físicos: baixa energia, alterações no sono, dores inexplicáveis pelo corpo (sem causa clínica definida), dor de cabeça, alterações no apetite, alterações gastrintestinais, alterações psicomotoras, entre outras.


Dificilmente o paciente costuma relacionar as dores constantes e a falta de libido, por exemplo, à tristeza, desânimo e à mudança de comportamento – o que dificulta o diagnóstico feito pelo médico que, por sua vez, nem sempre investiga os sintomas que o paciente não costuma mencionar durante uma consulta.


Estima-se que 121 milhões de pessoas no mundo inteiro sofram com a depressão e, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, 75% dessas pessoas nunca recebem tratamento adequado. Hoje, a depressão é a quarta causa global de incapacidade e deve ser a segunda até o ano de 2020.

As informações são do Fundamento Comunicação Empresarial.


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