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Celular pode causar câncer de cérebro, aponta estudo

France Presse
31 dez 1969 às 21:33

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AFP Tom Sloan
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O possível vínculo entre o uso de celulares e o câncer de cérebro é muito parecido com a relação entre o tabaco e o câncer de pulmão, que a indústria do tabaco e a sociedade demoraram 50 anos a reconhecer, advertiram os cientistas americanos ante o Congresso americano.

"Não devemos repetir o que aconteceu com relação ao cigarro e o câncer de pulmão quando nossa nação esperou até afinar cada mínimo detalhe da informação antes de advertir o público", afirmou o diretor do Instituto de Saúde e Meio Ambiente na Universidade de Albany, David Carpenter, em depoimento na Subcomissão da Câmara sobre Política Interna. "Precisamos agir com urgência", alertou.

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O diretor do Instituto do Câncer na Universidade de Pittsburgh, Ronald Herberman, declarou que "a maioria dos estudos que alegam que não existe um vínculo entre celulares e tumores cerebrais está desatualizada, tem problemas metodológicos e não incluiu um número suficiente de usuários de celulares em longo prazo".


"Não posso assegurar a essa comissão que os celulares são definitivamente perigosos mas não posso, tampouco, dizer-lhes que são seguros", afirmou Herberman.


Carpenter e Herberman também disseram à comissão que o risco de câncer cerebral pelo uso do celular é bastante maior para crianças do que para adultos.


Heberman apresentou os legisladores um modelo que mostrava como a radiação de um celular penetrava mais profundamente no cérebro de uma criança de 5 anos do que no de um adulto.


Apelo


"Isso é um grave problema de saúde pública. Trata-se de um apelo ao governo para que financie pesquisas e à FCC (a autoridade reguladora de telecomunicações) para que revise suas normas técnicas", insistiu Carpenter.


Atualmente, a ciência está dividida a respeito dos efeitos biológicos dos campos magnéticos emitidos pelos telefones celulares.


Alerta


Um tumor no cérebro demora cerca de uma década para se desenvolver, afirmam os cientistas, e os estudos existentes classificam como uso regular a utilização de um celular apenas uma vez por semana.


Carpenter e Herberman citam trabalhos europeus, em particular da Escandinávia - berço do celular -, que mostram um vínculo entre o uso freqüente do celular e tumores benignos e cancerosos.


Uma recente pesquisa sueca, do cientista Lennart Hardell, afirma que um usuário regular tem duas vezes mais riscos de desenvolver um tumor no nervo auditivo do lado que utiliza o aparelho do que do outro lado.


Além disso, um estudo israelense determina uma alta de 50% nas possibilidades de desenvolver um câncer na glândula salival.


E, segundo um comunicado científico de setembro da Real Sociedade de Londres, os adolescentes que começaram a usar celulares antes dos 20 anos têm cinco vezes mais possibilidades de desenvolver câncer de cérebro aos 29 do que aqueles que não têm celular.

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Herberman apresentou, além disso, um modelo que mostrava como a radiação de um celular penetrava mais profundamente no cérebro de um menino de 5 anos que em um adulto.


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