Uma equipe de pesquisadores franceses mostrou os efeitos do consumo de substâncias que causam dependência química em alguns mecanismos de aprendizagem, num estudo publicado nesta quarta-feira (21) no site da revista Nature. O experimento foi feito em cobaia.
Já estava provado cientificamente que as substâncias que causam a dependência funcionam através da liberação no cérebro de uma molécula, chamada dopamina, segregada normalmente como "recompensa" por uma ação considerada positiva. O cérebro tenta então "reproduzir as atitudes" que levam à obtenção de dopamina, o que aumenta a motivação do indivíduo.
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A equipe, liderada por Jean-Antoine Girault, diretor de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), se concentrou nos mecanismos moleculares vinculados a uma proteína que, ativada pela dopamina, se acumula no núcleo dos neurônios em uma região do cérebro conhecida como striatum.
Essa acumulação de proteína é observada também em ratos de laboratório quando aprendem a passar o focinho por um buraco para conseguir comida. A mutação da proteína causa uma redução da motivação dos ratos para obter comida, provando assim que a proteína em questão desempenha um papel fundamental nos mecanismos de aprendizagem e motivação.
O estudo permite compreender melhor os mecanismos normais de aprendizagem e as "alterações" causadas por substâncias viciantes, segundo os pesquisadores. Além disso, o estudo abre uma nova via de pesquisa sobre o tratamento do vício e de algumas doenças que envolvem a produção de dopamina.