Uma pesquisa da Universidade de Utrecht, na Holanda, afirma que grávidas que comem nozes ou amendoim todos os dias podem aumentar em 50% o risco de o filho desenvolver asma. Cerca de 4 mil mulheres grávidas responderam um questionário sobre a dieta que seguiam e seus filhos foram monitorados durante oito anos.
Os resultados da pesquisa sugerem que os fortes alérgenos encontrados em algumas nozes podem fazer com que o feto tenha tendência a alergias.
Os pesquisadores compararam as mulheres que comiam nozes todos os dias durante a gravidez com as mulheres que consumiam "raramente" e descobriram que havia um aumento de entre 40% e 60% nas chances de sintomas de asma em geral, respiração difícil e uso de esteróides nos filhos.
"Ainda é muito cedo para fazer recomendações sobre o que evitar (durante a gravidez), mas é importante que as mulheres grávidas tenham uma dieta saudável e, como ocorre com outros alimentos, nunca é bom em demasia", diz a pesquisadora Saskia Willers, que liderou o estudo.
Choque anafilático
O estudo examinou o efeito do consumo de diferentes tipos de nozes e também de amendoim, que não é considerado uma noz verdadeira em termos botânicos. O amendoim já é associado a alergias. "O amendoim é um alérgeno forte", afirma Willers. "A alergia a amendoim está associada ao choque anafilático e tem menos chances de ser superada do que outras alergias."
A pesquisa holandesa também descobriu taxas de asma mais baixas em filhos de mulheres que comeram mais frutas durante a gravidez. Os pesquisadores sugerem, no entanto, que outros aspectos de um estilo de vida mais saudável, seguido por estas mulheres, podem ser os responsáveis.
Causas
Outros estudos foram menos conclusivos a respeito da associação entre nozes e o risco de desenvolver asma. Os fatores durante a gravidez, ou no início da vida, que levam algumas crianças a desenvolver asma ainda não estão totalmente esclarecidos.
A asma pode ser registrada em vários membros de uma mesma família, o que sugere um forte componente hereditário, mas o ambiente ainda tem um papel importante no desenvolvimento da doença.
O estudo da Universidade de Utrecht foi divulgado na publicação científica americana American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.