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Obsessão por magreza é doença

Redação Bonde
31 dez 1969 às 21:33

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Reprodução
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Segundo dados da área de saúde, cerca de 1% a 4% da população sofre de bulimia ou anorexia. A bulimia atinge 13 mulheres em cada 100 mil, enquanto que a anorexia afeta 8 em cada 100 mil. Esses números preocupam cada vez mais profissionais da área da saúde. Essa obsessão em ser "magro" é identificada por uma grave perturbação do comportamento alimentar, preocupação excessiva com o aumento de peso e o corpo e por nunca se sentir suficientemente magra. O problema afeta principalmente mulheres adolescentes e jovens.

"Anoréxicos e bulímicos possuem um padrão de comportamento e pensamento que os leva a crer que tudo em suas vidas depende de quão magros estão. Assim, atribuem fracassos e glórias de suas vidas ao corpo, ou seja, se foi promovido no trabalho é porque está magro, se perdeu o namorado é porque está gordo", explica a psicóloga da Clínica Asinelli, Talita Lopes Marques que é especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade, Psicologia do Emagrecimento (Programa Rafcal) e mestranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina.

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Essas doenças se iniciam por diversas causas, como fatores psicológicos, biológicos, familiares e sócio-culturais. A psicóloga esclarece que o padrão de beleza cada vez mais rígido e difícil de ser atingido é o principal vilão. "As mulheres são guiadas por dois padrões de beleza: a magreza extrema, que denota um índice de massa corporal equivalente à anorexia, ou o corpo extremamente definido, conseguido com muito empenho na academia de ginástica e na mesa dos cirurgiões plásticos", considera.


Segundo a psicóloga, as mulheres são as maiores vítimas dessa exigência social, principalmente as adolescentes que estão passando por um período de transformação física e psicológica, o que as deixa ainda mais inseguras quanto ao seu corpo, abrindo espaço para o transtorno alimentar.


O termo anorexia nervosa significa ausência de fome, porém a vítima dessa doença raramente perde o apetite. Ela desenvolve um controle tão grande que apenas aguenta a sensação desconfortável da fome na crença de que está emagrecendo. "Já o termo bulimia significa que a pessoa sente uma fome tão grande que seria capaz de comer um boi, contudo essa fome não é fisiológica, é ocasionada por ansiedade, frustrações e outras situações que causam a falta de controle sobre seus impulsos", compara Talita.


Os transtornos alimentares são diagnosticados por psiquiatras, mas devido a suas inúmeras causas, o tratamento deve ser feito por uma equipe interdisciplinar especializada, composta por psicólogo, psiquiatra, nutricionista, endocrinologista entre outros. "O primeiro passo é fazer uma avaliação do estado atual de saúde do paciente para afastar possíveis causas orgânicas. Conforme a necessidade, a equipe médica pode prescrever o uso de medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos", comenta.


O papel do psicólogo é fundamental, pois investigará não só os fatores que levaram ao desenvolvimento e manutenção do quadro, mas também outras dificuldades que o paciente apresenta. "É fundamental conscientizar o paciente do porquê do peso corporal ser tão importante para ele e permear todas as áreas de sua vida, modificando também a crença de que seu valor pessoal não varia conforme seu peso", explica.


História
Ao contrário de que se imagina, os transtornos alimentares são doenças antigas. A psicóloga conta que há relatos históricos que identificam a anorexia na Idade Média. "Nessa época as jovens que suprimiam necessidades básicas como alimentação e sexo eram santificadas, daí o nome de Anorexia Santa". Já a bulimia é relatada no antigo Egito.


"A prática de vômitos e o uso de purgativos eram considerados uma forma de se livrar de doenças, pois eles acreditavam que estas eram causadas pela comida. Na Medicina grega existem relatos de que Hipócrates recomendava a prática de vômitos para a prevenção de doenças. Os romanos tinham o hábito de comer em excesso em banquetes e depois dirigir-se ao vomitorium, local próprio para se livrar dos excessos alimentares", conta.

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A psicóloga explica que só a partir da década de 60, com o aumento de casos de transtornos alimentares, que a comunidade científica e a sociedade passaram a se interessar mais pelo assunto.


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