As Nações Unidas alertaram nesta segunda-feira (17) para o contínuo aumento das emissões de gases poluentes nos países industrializados, duas semanas antes da abertura de sua conferência anual sobre o clima, que marcará o início das negociações sobre um programa de combate ao aquecimento global.
"O aumento das emissões continua sendo objeto de preocupação", afirmou nesta segunda-feira Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), ao apresentar um relatório sobre a situação dos países industrializados em Bonn, na Alemanha.
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Segundo dados do relatório, as emissões dos 40 países industrializados - chamados de Anexo 1 - aumentaram 2,3% entre 2000 e 2006.
A Espanha foi um dos países que registrou um aumento maior em relação a 1990, ano de referência para a Convenção e o Protocolo de Kioto. O caso espanhol (um aumento de 50,6% entre 1990 e 2006) e o de Portugal (40%) correspondem às piores situações na Europa.
As emissões de dióxido de carbono (CO2), que representavam 82,5% dos gases causadores do efeito estufa em 2006, continuam sendo a principal preocupação da UNFCCC, devido à dependência do petróleo, do gás e do carvão por parte das nações desenvolvidas e emergentes.
Nesse contexto, as emissões de CO2 aumentaram 40% na Austrália e 57% na Espanha entre 1990 e 2006.
As emissões poluentes no leste da Europa começaram a aumentar (4,7% entre 2000 e 2006) devido ao forte crescimento econômico na região, destacou De Boer.
O Protocolo de Kioto é o único tratado internacional que impõe metas de redução dos gases causadores do efeito estufa aos países industrializados (-5% entre 2008 e 2012).
"Estou convencido de que, globalmente, (os países industrializados) são capazes de cumprir seus compromissos", analisou De Boer. O secretário executivo da UNFCCC acredita que os números do relatório "são a prova de que é urgente avançar rapidamente para a definição de um novo acordo" para substituir o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.