A Secretaria estadual da Saúde lançou nesta quinta-feira (04) resolução técnica que estabelece ações de saúde para controle da micobactéria não-tuberculosa de crescimento rápido (MNTCR) no Paraná. São critérios rígidos com objetivo de evitar o aparecimento de novos casos de contaminação por micobactéria de crescimento rápido – uma espécie grave de infecção hospitalar.
"Queremos estabelecer o melhor encaminhamento técnico para esse problema e com parcerias de diversas instituições, acredito que seja possível construir o conhecimento necessário para conter a micobactéria", disse o secretário Gilberto Martin que acrescentou como exemplo o sucesso nas ações deflagradas em outras patologias. "Em surtos como a dengue, o trabalho intensificado e com parcerias têm resultados positivos. Comparando com o mesmo período epidemiológico do ano anterior – quando ocorreu a maioria dos casos – tivemos uma redução de 98% nos casos", lembrou.
Até então, as ações de saúde nos casos de micobactéria seguiam a resolução 141/2008. De acordo com o superintendente de vigilância em saúde, José Lúcio Santos, a nova resolução irá complementar a anterior – que definia critérios apenas para procedimentos realizados em videocirurgias.
"Com essa nova resolução será ampliado o rigor, principalmente, na esterilização de materiais e equipamentos utilizados em procedimentos cirúrgicos em geral", ressalta Yvana Kanisnki, técnica do departamento de divisão de controle de doenças estratégicas.
Dentre os critérios, recomenda-se à substituição do glutaraldeído – utilizada na esterilização – por outro componente. A medida justifica-se devido a estudos que apontam a adaptação da micobactéria à substância. Outro critério é a notificação obrigatória de casos suspeitos. Quando ocorrer em estabelecimento privado, a instituição responsável pelo atendimento inicial do paciente, deverá disponibilizar todo o atendimento clínico e acompanhamento do caso. Em estabelecimento público, o acompanhamento é feito através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde dezembro de 2007, o Paraná registrou 158 notificações. Destas, 137 de Curitiba e 21 no interior do Estado. Houve a confirmação de 110 casos, sendo 104 em Curitiba, quatro em Londrina e dois em Umuarama. De todos os casos confirmados no Paraná, apenas um ocorreu em unidade pública de saúde.