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Londrina

Profissões de soropositivos mostram que 'HIV não tem cara'

Luís Fernando Wiltemburg - Redação Bonde
26 jun 2017 às 12:28

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Mateus Pereira / GOVBA
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Se nos anos 1980 e 1990 o vírus HIV era visto como um mal de determinados grupos (homossexuais, prostitutas e dependentes químicos), hoje ele não tem mais "cara" e pode acometer pessoas de todas as raças, classes sociais e orientações sexuais. Prova disso são as profissões informadas pelos pacientes de Londrina, conforme consta no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

No ano passado, 402 novos casos de HIV/Aids em pessoas de 13 anos ou mais foram registrados entre londrinenses. Nas estatísticas repassadas à reportagem, as ocupações mais recorrentes foram: desempregado (39 casos); estudante (28); dona de casa (21); aposentado (20); administrador (19); cabeleireiro (18); professor (14); serviços gerais (14); pedreiro (11); e auxiliar administrativo (10).

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No ranking, há ainda 68 notificações classificadas como "outras ocupações" e o restante se divide em um universo de profissões que se estende largamente, indo de garçom a médico, passando por operário, esteticista, advogado, farmacêutico, engenheiro e ministro de culto religioso. Vale lembrar que essas profissões são informadas pelos próprios pacientes, podendo haver incorreções.


A médica da Gerência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde Fátima Tomimatsu confirma o fim de grupos de risco em relação ao vírus HIV. "No início, o HIV era associado a populações restritas, como homossexuais e usuários de drogas. Mas a presença de pessoas do lar e de idosos no sistema do Sinan indica que não existem mais características de grupos de risco para as infecções sexualmente transmissíveis", avalia.


Para ela, o início precoce da vida sexual, o sexo sem proteção e a difusão do tratamento com antirretrovirais, que aumentou a sobrevida dos pacientes em décadas, explica o cenário atual. O tratamento, aliás, deixou a doença menos assustadora, já que, com o remédio, o vírus permanece inativo no corpo.


Enfermeiro do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Londrina, Edvilson Cristiano Lentine também compartilha da opinião de que os grupos de risco "foram por água abaixo". "Não dá para pensar por categorias, todos estão vulneráveis e, quando analisamos [as notificações de HIV/Aids] por profissões, percebemos essa vulnerabilidade."


De acordo com ele, o CTA é procurado por pessoas que se expuseram ao risco porque praticaram sexo sem preservativo, porque houve rompimento da camisinha, porque o parceiro revelou ser HIV positivo e até mesmo porque houve traição no relacionamento.

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Para Lentine, essas situações e as infecções sexualmente transmissíveis diminuiriam se houvesse educação sexual adequada nas escolas, incutindo nas pessoas, desde jovens, a cultura da autoproteção.


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