Corpo & Mente

Próstata: chega de preconceito!

31 dez 1969 às 21:33

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de próstata é a neoplasia que mais atinge homens nas capitais das regiões Sul e Sudeste. A mortalidade por esse tipo de tumor aumentou em mais de 95%, entre 1979 e 2004, tornando o câncer de próstata a segunda causa de morte por neoplasia em homens no Brasil. Esses dados poderiam ser diferentes, se a população masculina colocasse a preocupação com a saúde acima do preconceito e do medo do exame preventivo. "Nota-se uma conscientização maior dos homens a respeito da importância do exame, mas apesar de certa evolução, o preconceito ainda existe. Não é raro ouvir pacientes comentarem sobre amigos que se negam a ir ao médico e, infelizmente, essa atitude pode acarretar situações graves na saúde do homem", afirma Dr. Luiz Augusto Bendhack, urologista do Hospital Nossa Senhora das Graças.

A realização do exame preventivo é fundamental, pois ele permite o diagnóstico precoce do câncer, aumentando as chances de cura do paciente. "O check-up prostático deve iniciar a partir dos 45 anos, sendo que para indivíduos com histórico familiar, os primeiros exames devem ser realizados aos 40 anos", explica. Os exames são o digital da próstata, o de toque retal, a avaliação laboratorial por exame de sangue e a ecografia. É a combinação desses exames que permite detectar a existência do câncer de próstata e, então, iniciar o tratamento adequado. "O exame do toque retal é, sem dúvida, incômodo, mas muito rápido e de fundamental importância. Muitos relatam que esperavam algo muito pior", conta.


O check-up deve ser feito periodicamente, principalmente o exame de toque retal, pois o câncer de próstata pode surgir sem apresentar sintomas. "Entre 60% a 80% dos casos, o câncer aparece inicialmente na zona periférica da próstata, ou seja, na parte externa. Como os possíveis sintomas ocorrem pela obstrução interna, é importante realizar o check-up mesmo que eles não apareçam, pois o seu surgimento pode denotar um estágio mais avançado da doença", alerta Dr. Bendhack. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas, mas não depender deles para ir ao médico. São eles: diminuição de força e de calibre do jato urinário, aumento na necessidade de urinar, necessidade de fazer força, sensação de não esvaziamento completo da bexiga, ardência ou dor.


Tratamento


Quando detectado o câncer de próstata, é possível tratar e até mesmo curar o paciente, sem limite de idade. "Apesar de ser o câncer masculino mais freqüente em homens com mais de 50 anos, a luta contra esse mal vem sendo ganha pela medicina, mas é fundamental o diagnóstico precoce para o tratamento adequado. Mesmo em casos em que a doença já está avançada, é possível controlá-la e manter a qualidade de vida do paciente", ressalta o especialista.


A escolha do tratamento depende de vários fatores, entre eles a idade do paciente, a agressividade do tumor, doenças associadas, se houve a invasão de órgãos vizinhos ou se o câncer está localizado. Tudo isso é levado em consideração para que, então, seja optado entre tratamento cirúrgico, radioterapia externa, terapia com hormônios, implante de sementes radioativas no interior da próstata ou conduta expectante. "Vários tratamentos com diversas técnicas são utilizados atualmente. Cada caso deve ser avaliado individualmente para que o objetivo da cura e de qualidade de vida seja alcançado".


Entendendo o câncer de próstata


A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve parte da uretra, no sistema urinário masculino. Quando maligno o tumor que atinge essa glândula, leva ao seu crescimento anormal, podendo causar dor e espalhar-se para outras partes do corpo, especialmente para coluna, pulmão e figado. "É importante ressaltar que o aumento do tamanho da próstata não é sinônimo de doença, pois a glândula apresenta um crescimento natural e benigno a partir da terceira ou quarta década de vida do homem", salienta o urologista.

A incidência do câncer de próstata é diretamente proporcional à idade, sendo mais comum em homens com mais de 50 anos. Há também outros fatores de risco, de ordem genética. "Se tivermos um parente de primeiro grau com câncer de próstata, o risco de desenvolvermos a doença é duas vezes maior. Sabe-se também que indivíduos de raça negra têm maior incidência do tumor", relata. A boa notícia é que, independentemente dos fatores de risco, o câncer de próstata tem cura, quando diagnosticado precocemente.


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