Corpo & Mente

Quando a tristeza afeta o coração

31 dez 1969 às 21:33

Você, com certeza, já ouviu alguém dizer que teve o coração partido, ou sentiu "na pele" essa sensação. Mas, o que poucos devem saber é que isso realmente pode ter ocorrido. Essa grande tristeza pode ocasionar uma disfunção no coração, conhecida como Síndrome de Takotsubo ou, mais popularmente, Síndrome do Coração Partido.

A doença, muito parecida com o infarto do miocárdio, é causada por um estresse devido a emoções muito fortes como brigas, cirurgias, quimioterapia, tristezas profundas, entre várias outras. "As causas da doença ainda não são totalmente compreendidas, mas o estresse emocional parece ser o desencadeador da síndrome, ou pelo menos cumpre um papel importante na doença", explica Dr. João Vítola, cardiologista especialista em Medicina Nuclear e diretor da Quanta Diagnóstico Nuclear, que coordena um estudo sobre a doença, em Curitiba. Dr. João e sua equipe estudam como a Medicina Nuclear pode ajudar as vítimas dessa doença.


Incidência maior em mulheres


Também conhecida como cardiomiopatia de estresse, a doença tem uma incidência maior em mulheres, principalmente no período após a menopausa. Entretanto, há relatos em mulheres jovens e em homens. Segundo João Vítola, alguns pesquisadores relacionam a maior incidência da doença em mulheres no período pós-menopausa por conta dos baixos níveis de estrógenos, sugerindo que esse hormônio possa ser um protetor contra a síndrome.


A doença provoca uma disfunção no ventrículo esquerdo, que pode chegar a causar choque cardiogênico (falha grave da capacidade de bomba do coração) e arritmia ventricular, podendo levar a morte. Os principais sintomas são dor e aperto no peito e, em algumas vezes, dificuldade em respirar. Quando são feitos os primeiros exames, o paciente apresenta alteração no eletrocardiograma e elevação de enzimas cardíacas, sintomas típicos do infarto agudo do miocárdio.

Após o diagnóstico da doença é necessário dar suporte ao paciente para que a função de bomba do coração se recupere. A forma do coração progressivamente volta ao normal, o que normalmente ocorre em poucos dias ou no máximo algumas semanas. A mortalidade provocada pela doença sem o diagnóstico é desconhecida. "Para os pacientes que chegam ao hospital a mortalidade é cerca de 1%, oriunda de alterações do ritmo cardíaco ou por insuficiência cardíaca", observa João Vítola.


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