Dados da Federação Brasileira de Epilepsia revelam que um em cada 100 brasileiros tem a doença, provocada por uma alteração do funcionamento do cérebro que gera as chamadas crises epilépticas.
Durante manifestação pública realizada nesta terça-feira (9) em frente ao Ministério da Saúde, a presidente da federação, Rosa Maria Lucena, alertou que as cirurgias para amenizar os sintomas da epilepsia e facilitar o tratamento do paciente não estão sendo realizadas.
Cirurgias não estão sendo realizadas
Segundo ela, a lei prevê a realização de, no mínimo, uma cirurgia por semana de pessoas com epilepsia na rede pública de saúde. "Desde 2007, a cirurgia não está acontecendo normalmente. Este ano, somente seis pacientes foram operados", diz a presidente.
A alegação das Secretarias de Saúde, de acordo com ela, é que a demanda de pacientes acidentados ou com qualquer outro tipo de patologia mais grave é grande nos hospitais públicos e que a pessoa com epilepsia não pode ser prioridade no atendimento. "O epiléptico vai ficando de lado", reclama Rosa Maria.
"Nossa principal reivindicação é a volta da cirurgia para o paciente portador de epilepsia e o cumprimento da distribuição de remédios nos postos de saúde. Existe risco de saúde, porque aquele paciente, cada vez mais, vai tendo crises. Ele pode cair a qualquer momento, no asfalto, perto do fogão. O paciente é muito prejudicado."
Exemplo
O estudante Vinícius Souza de Almeida passou pela cirurgia há dois anos. Ele avalia que, desde então, muita coisa mudou e que as críticas a respeito de sua condição diminuíram. Ele lembra que antes não podia estudar e que nunca recebeu uma oferta de trabalho. O preconceito contra epilépticos no Brasil, segundo o estudante, persiste.
O Ministério da Saúde foi procurado para se pronunciar sobre o assunto, mas não quis se manifestar.