É cada vez mais difícil encontrar alguém que não se queixe de estresse. Correria, pressão, metas, resultados, projetos e problemas no dia-a-dia consomem a energia do profissional, retiram-lhe o ânimo e a disposição. E como resultado, nos momentos de maior tensão, o organismo fica destituído de nutrientes e a mente esgotada. "Para prevenir situações extremas como estas, temos que fazer da dieta uma aliada. Podemos combater o cansaço físico e mental com o consumo diário de alimentos ricos em antioxidantes - encontrados nos minerais, nas frutas e nos vegetais que contenham vitaminas C e E, betacaroteno, licopeno e selênio", defende o geriatra Eduardo Gomes, diretor da rede de Clínica Anna Aslan.
A variedade de alimentos leva a uma refeição repleta de antioxidantes, fundamentais no combate aos radicais livres - moléculas que se formam no organismo principalmente em situações de pressão, desencadeando doenças e envelhecimento precoce. "Mas o exame detalhado dos genes pode se mostrar uma ferramenta muito mais eficiente", reforça o médico, que também é especializado em terapia ortomolecular.
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Uma dieta para cada um
Durante a vida, os genes que herdamos dos nossos pais reagem ao meio em que vivemos. Especialistas garantem que nossas escolhas alimentares, por exemplo, são capazes de inibir ou ativar certas partes do nosso código genético. Quem esmiúça este tema a fundo são os pesquisadores da nutrigenômica, ciência que estuda a interação entre os genes e os alimentos. "Por meio dela, já descobrimos que certos nutrientes são capazes de alterar a expressão dos genes: alguns têm sua ação estimulada ou inibida, outros influenciam na manifestação ou não de uma doença, seu desenvolvimento e sua progressão. Ou, ainda, que variações genéticas individuais afetam a forma como os nutrientes são assimilados, metabolizados, armazenados e excretados pelo corpo", afirma o geriatra Eduardo Gomes.
Preservação da saúde pela análise do DNA
Hoje, já sabemos que os alimentos afetam a estrutura do DNA e o funcionamento dos genes. Quanto mais íntegros os genes, menor a probabilidade de se desenvolver a maioria das disfunções e doenças, especialmente câncer, distúrbios de crescimento e doenças degenerativas do cérebro, como o Alzheimer. "Diversos fatores agridem o DNA, fazendo com que ele deixe de funcionar como deveria. A exposição a determinados tipos de radiação ou elementos químicos - incluindo poluição e agrotóxicos - além da deficiência de certos nutrientes são alguns deles", afirma o médico.
A alimentação é um fator muito importante na preservação da saúde e da integridade do DNA. "Pequenas variações na concentração de nutrientes podem afetar a estrutura do genoma tanto quando altas doses de radiação iônica", alerta o diretor da rede de Clínica Anna Aslan. Um estudo recente, divulgado pelo médico Dean Ornish, da Universidade da Califórnia, reforça esta idéia e exemplifica a forma como os hábitos saudáveis, especialmente a alimentação, influenciam no funcionamento dos genes no núcleo das células. A equipe do pesquisador analisou o tecido da próstata de trinta pacientes com tumores iniciais e de progressão lenta, em dois momentos: antes e depois de um programa de três meses que incluía alimentação com 12% menos de gordura, uma média de 3,6 horas de exercício por semana e sessões de psicoterapia. Ao final, os médicos constataram que mais de 500 genes haviam sido alterados de maneira a favorecer o combate ao câncer. Alguns genes que propiciam o desenvolvimento de tumores, os oncogenes, foram "desligados", enquanto genes de proteção contra o câncer foram "ligados".
Pesquisas aceleradas
Cientistas de todo o mundo trabalham em pesquisas para tentar descobrir a dieta ideal para cada ser humano e os alimentos que podem influenciar de maneira benéfica a nossa herança genética. "Nesse sentido, até agora, cerca de mil genes humanos ligados a doenças já foram identificados, assim como os nutrientes que tem ação sobre eles", afirma Eduardo Gomes. Nos Estados Unidos, isso já tem sido feito na prática. "Sabendo quais os genes associados e quem tem predisposição genética para desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e determinados tipos de câncer, alguns pacientes já seguem dietas específicas para agir sobre a parte do código genético que predispõe a esses males", explica o médico.
A relação genes-alimentos mais estudada atualmente é a que interfere na manifestação de doenças cardiovasculares, diabetes, síndrome metabólica, hipertensão, osteoporose, obesidade, cânceres e doenças neurológicas. "Em breve, com o avanço das pesquisas, a ciência voltará os olhos para outras áreas. Em poucos anos, saberemos todos os genes envolvidos não apenas no aparecimento de males, mas também nos aspectos que envolvem auto-estima, envelhecimento e o prazer de viver", defende o geriatra Eduardo Gomes.
No caso específico do estresse, já é possível realizar um teste preditivo que aponta suscetibilidades genéticas para o surgimento da fadiga crônica e do estresse oxidativo. "Estamos falando do DetoxiGenomic. O exame revela predisposições genéticas para reações adversas a drogas, desordens neurodegenerativas, desordens de humor, fadiga crônica, fibromialgia e estresse oxidativo", explica o geriatra.
Utilizando uma pequena amostra de material genético, por meio da coleta de sangue, o exame avalia fragmentos do código genético de cada paciente. A coleta de sangue é realizada no Brasil, numa das unidades da rede de clínicas Anna Aslan e enviada para análise no laboratório Genova Diagnostics, localizado em Asheville, nos Estados Unidos. O tempo médio de espera pelo resultado é de 30 dias.
"Com o resultado do DetoxiGenomic em mãos, abre-se a possibilidade de modularmos a expressão dos genes, buscando fazer com que o paciente não adoeça. A prevenção do aparecimento do estresse oxidativo e da fadiga crônica inclui mudanças no estilo de vida do paciente, como uma nova proposição dietética e a suplementação vitamínica, baseadas na análise das informações genéticas individuais", diz Eduardo Gomes. (Das agências)