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Fibras são essenciais para a manutenção da saúde

Carolina Avansini/Folha da Sexta
31 dez 1969 às 21:33

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Olga Leiria
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Elas não possuem valor nutricional, mas são fundamentais para manter o bom desempenho do organismo. Presentes nas frutas, legumes, cereais e leguminosas, as fibras garantem o funcionamento do intestino e, ao alimentarem as bilhões de bactérias benéficas presentes no cólon, melhoram a flora intestinal e beneficiam o sistema imunológico.

Tantas vantagens, porém, não são suficientes para convencer a maioria das pessoas a aumentar a ingestão dessas substâncias. Naturalmente presentes na alimentação dos nossos antepassados, as fibras perderam espaço nas refeições contemporâneas graças à oferta cada vez maior de alimentos industrializados de fácil preparo. A consequência dessa mudança de hábitos é o aumento da incidência de patologias crônicas como colesterol, diabetes, obesidade.

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O assunto mereceu um capítulo especial no livro ''A verdade sobre a comida'', de Jill Fullerton-Smith. Segundo a autora, as fibras são basicamente carboidratos de origem vegetal que não conseguimos digerir. Elas estão divididas em dois grupos: as solúveis e as insolúveis.


Boa parte das frutas e hortaliças contém os dois tipos de fibras. Aveia, nozes e feijão, por exemplo, são boas fontes do grupo solúvel, enquanto alimentos integrais, cuscuz, cenoura, pepino e farelo ofertam muitas fibras insolúveis. O segredo para a boa saúde é consumir os dois grupos em quantidade suficiente, ou seja, pelo menos 25 gramas diárias.


O médico Gladston Luiz Castro, de Londrina, proprietário da loja de produtos naturais Relva Verde, explica que as fibras insolúveis não são digeridas e absorvem pouca água. Sua função é formar o bolo fecal, melhorando o trânsito intestinal. Outro papel desses alimentos é limpar as microvilosidades do intestino, onde costumam se alojar toxinas que atrapalham as funções vitais do corpo.


Já as fibras solúveis absorvem a água, formam um gel e diminuem a captação de nutrientes em excesso no organismo, como a glicose e as gorduras. Como consequência, a lenta absorção dessas substâncias previne a obesidade e o diabetes, além de diminuir os níveis de colesterol.


De acordo com o livro ''A verdade sobre a comida'', as fibras também são fundamentais para manter o equilíbrio da flora intestinal. Isso porque as bactérias benéficas que vivem em nosso organismo - e que combatem as bactérias nocivas - sobrevivem fermentando essas substâncias.


As boas bactérias também treinam o sistema imunológico dos bebês e consomem alguns gases produzidos pelas bactérias prejudiciais, reduzindo a quantidade a expelir. A fermentação que ocorre dentro do cólon, conforme Fullerton-Smith, também ajuda a absorver minerais e atua no combate ao câncer.


As bactérias benéficas mais importantes são das famílias Lactobacillus e Bifidobacterium. As do primeiro grupo produzem ácido láctico, que reduz significamente a população de bactérias prejudiciais, além de produzir as vitaminas K e B12, absorvidas pela parede do cólon. Já as Bifidobacterium compõem até 90% da flora intestinal dos bebês amamentados ao peito. Um estudo publicado pelo Allergy Research Centre, de Estocolmo, em 2001, acompanhou recém-nascidos até os dois anos de idade e descobriu que os que tinham uma flora bacteriana mais numerosa apresentavam menos chances de desenvolver alergias.


Bons hábitos


Pão integral e cereais como linhaça e aveia não faziam parte da rotina da empresária Juliana Garcia Bijetti Constantino. Há dois anos, entretanto, influenciada pela prática de atividades físicas, ela adotou uma dieta mais saudável e passou a incluir esses alimentos no cardápio. Os resultados foram imediatos. ''Meu intestino passou a funcionar melhor e me sinto com mais energia para as atividades do dia-a-dia'', conta.


A oferta de produtos integrais prontos em lojas especializadas facilitou a mudança de hábitos. ''É muito prático'', defende. O médico Gladston Luiz de Castro lembra que as boas empresas do ramo também oferecem informações sobre os alimentos mais adequados para cada pessoa. ''É possível encontrar produtos para lanches, dietas de perda de peso e até mesmo na preparação que antecede uma cirurgia'', conta.


Barrinhas de cereais, granola, pão e biscoitos integrais são algumas das opções mais procuradas pelos consumidores. De acordo com o médico, é importante se preocupar também com a procedência dos alimentos. ''Não adianta comprar o pão integral cheio de aditivos químicos e conservantes. É preciso buscar as fibras sadias'', pondera.


Curiosidades


- Bebês que nascem de parto normal recebem sua primeira flora intestinal da mãe. Já os que nascem de cesarianas têm muito mais bactérias prejudiciais e poucas bactérias benéficas no organismo


- O leite materno é perfeito para alimentar a flora intestinal


- Quando estamos doentes, cansados ou tomamos antibióticos, a flora intestinal sofre, favorecendo a proliferação de bactérias prejudiciais. O consumo de alimentos probióticos ou prebióticos (enriquecidos com bactérias ''do bem''), além das fibras, ajudam a normalizar a situação


- Uma alimentação rica em nozes, frutas e hortaliças frescas - semelhante à de nossos ancestrais - pode ajudar a reduzir o colesterol e a pressão arterial


- Existem cerca de cem milhões de bactérias no intestino, que acrescentam pouco mais de um quilo o peso corporal

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Fonte: ''A verdade sobre a comida'', de Jill Fullertoon-Smith, Editora Intrínseca, 240 páginas, R$ 49,90 (www.intrinseca.com.br)


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