O universo das dietas ganha mais uma nomenclatura: não é da Lua, de Hollywood, da sopa e por aí vai. É o ''Dia do Lixo'', que permite àqueles que estão em dieta escolher um dia da semana para cometer extravagâncias alimentares. Um bom motivo para programar a compra de final de semana sortida de itens calóricos? Nada disso.
Em entrevista à Folha, o nutricionista esportivo Rodolfo Peres enfatiza: o ''Dia do Lixo'' não deve ser visto como uma extravagância alimentar descomedida, mas sim como um dia em que o indivíduo poderia ingerir um pouco mais de calorias do que o permitido normalmente.
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O ''Dia do Lixo'' funciona para qualquer pessoa?
Desde que tomem cuidado com a quantidade. Além disso, deve-se ter precaução para não tornar essa prática obsessiva. Já me deparei com casos de indivíduos que ficam programando as compras no supermercado a semana toda e quando chega o tão esperado ''Dia do Lixo'', comem desesperadamente tudo o que encontram pela frente. Liberar a dieta significa ingerir algo em torno de mil calorias a mais que o usual. Os mais comilões tendem a estender o ''Dia do Lixo'' de quinta-feira até domingo. Desta forma, certamente os resultados serão comprometidos.
A população está preparada para seguir um ''Dia do Lixo''?
Analisando a alimentação da população em geral, podemos constatar que diariamente é feito o ''Dia do Lixo''. Considerando a alimentação da civilização moderna, durante cerca de 2,3 mil anos, nós mantivemos grande parte dos hábitos alimentares adequados. Mas nos últimos 150 anos o avanço tecnológico vem modificando a relação humana com o meio ambiente. Ou seja, nossa alimentação vem piorando muito. É uma dieta mais rica em gorduras (particularmente as de origem animal), açúcares e alimentos refinados. Ao mesmo tempo, essa dieta é (infelizmente) reduzida em fibras, carboidratos complexos e alimentos funcionais. Comidas práticas, saborosas, riquíssimas em carboidratos e com teores elevados de aditivos químicos vêm tomando conta das prateleiras dos supermercados. Em paralelo, a demanda energética da vida moderna tem caído drasticamente, devido a um estilo de vida mais sedentário. O resultado disso tudo é o aumento na prevalência de várias doenças, incluindo a obesidade.
Como mudar esses hábitos?
Como não podemos esquecer que esses alimentos com péssimo valor nutricional normalmente são acompanhados de um ótimo sabor - o que dificulta a eliminação total deste na dieta, a restrição do seu consumo para apenas um dia na semana proporcionaria uma grande melhora na alimentação da população.
A segurança das dietas foi colocada em xeque nos últimos dias após a decisão da corte britânica de indenizar em R$ 2,5 milhões uma mulher de 52 anos que sofreu danos cerebrais depois que seguiu uma dieta de desintoxicação regada a 5 litros de água e alimentos sem sal, diariamente. Esse tipo de dieta altamente restritiva ainda é recomendado? E funciona em algum caso?
Dietas altamente restritas em sua maioria podem proporcionar malefícios à saúde e não devem ser seguidas em hipótese alguma por um indivíduo que preze por ela.
Estudo feito pela Wane State University, em Michigan (EUA), mostrou que o consumo de ovos reduz a fome. Mas o ovo por anos não foi vilão? Afinal, trata-se de um alimento ''culpado'' ou ''absolvido'' em relação à dieta?
Durante anos, a gema do ovo foi considerada um mau alimento devido aos seus teores de colesterol. Porém, foi constatado há alguns anos que a grande culpada pelo aumento dos níveis de colesterol sanguíneo é a ingestão de gordura saturada. O ovo, se preparado sem o acréscimo de óleos e gorduras, é um bom alimento, pois é rico em proteínas de alta qualidade. No entanto, um consumo excessivo de gemas proporcionará uma alta ingestão calórica, o que não seria recomendado quando o objetivo é redução de gordura corporal.
Diante de tantas pesquisas e tentações, a pergunta: a dieta ''da moda'' funciona?
Somos bombardeados o tempo todo com dietas do tipo: dieta da lua, do abacate, do tipo sanguíneo, à base de shakes milagrosos, dieta da sopa. Essas dietas não respeitam a individualidade biológica das pessoas, pois prometem funcionar para todos. O ideal sempre será consultar-se com um nutricionista e obter um programa nutricional totalmente individualizado e de acordo com seus objetivos.