Sempre que se fala em dietas de perda de peso, é inevitável imaginar as restrições alimentares e, graças a elas, a fome e o desejo de comer certos alimentos, considerados vilões do emagrecimento. Quem nunca eliminou os carboidratos e manteve apenas saladas e carnes magras nas refeições?
Mas, segundo o endocrinologista João Cesar Soares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o segredo para a perda de peso e a qualidade de vida pode estar muito mais na combinação dos alimentos do que na ingestão dos mesmos. Há 20 anos, ele desenvolveu uma técnica chamada dieta dissociada, onde carboidratos e proteínas são ingeridos separadamente. Os resultados em pacientes obesos têm sido bastante satisfatórios, de acordo com especialistas.
''Ao ingerir carboidratos com proteínas, o organismo libera mais insulina e esse hormônio inibe a ação da lipase, que é a enzima que queima as gorduras. Por isso, a ingestão desses alimentos separadamente favorece o emagrecimento. A dieta dissociada prega que esses alimentos sejam consumidos, sim, mas em refeições diferentes'', afirma a nutricionista paulista Daniela Jobst, que trabalha com a dieta.
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Além de favorecer o acúmulo de gordura no organismo, a combinação proteína-carboidrato também causa, de acordo com a especialista, mal-estar, cansaço, falta de energia e metabolismo lento. ''A mistura é maléfica para o organismo devido à fermentação que estimula a liberação de toxinas nocivas para o corpo e faz com que o aparelho digestivo fique sobrecarregado. Já a combinação de alimentos dissociados, como consumir apenas vegetais com carboidratos ou vegetais com proteínas, é benéfica, pois não há fermentação, o que é mais saudável e auxilia na perda de peso mais facilmente'', garante.
O cardápio adotado pela dieta dissociada propõe começar o dia com os carboidratos energéticos como pães integrais, cereais, frutas e suco de frutas. ''Eles devem ser consumidos tanto no café matinal quanto no lanche da manhã. Além de energia, esses alimentos são fontes de um aminoácido muito importante, o triptofano, que é um precursor do neurotransmissor serotonina, conhecido como hormônio da felicidade e bem-estar'', explica Daniela.
A dica para o almoço é continuar com os carboidratos que dão energia e possuem um moderado índice glicêmico, como arroz integral, quinua, batata- doce, mandioca, farinhas, macarrão integral. ''As proteínas devem ficar para o lanche da tarde, o jantar e a ceia. Dessa forma preparamos o corpo para enfrentar a noite, com um longo período sem alimentos. A proteína também provoca maior sensação de saciedade, evitando os famosos assaltos noturnos à geladeira'', lembra.
Legumes e verduras podem ser consumidos tanto no almoço quanto no jantar. Além de perder peso comendo cerca de 20% mais do que em outras dietas, a nutricionista afirma que o sistema dissociado oferece outros benefícios para o corpo. ''É uma forma equilibrada de perder peso, uma vez que nenhum grupo alimentar é excluído, o que melhora a digestão e permite perder grande quantidade de água em excesso, fortalecendo os músculos e melhorando a pele'', diz.
Como todas as fontes de nutrientes estão presentes no cardápio, a dieta dissociada pode ser seguida pelo resto da vida e não tem contra-indicações. ''A diferença é que a pessoa que pretende perder peso precisa ingerir menos quantidade de alimentos e evitar os doces e outras guloseimas. Para quem não quer emagrecer, basta seguir com a alimentação em quantidades normais'', recomenda Daniela.
A dieta dissociada também é diferente no intervalo entre as refeições, que deve ser de 4 horas após o almoço e o jantar e de 2 horas entre os lanches. Se a pessoa almoçou às 12h, seu próximo lanche só deve ser às 16h, e um outro lanche às 18h00. Seguindo esse modelo, se o jantar for às 19/20h, um lanche leve deve ser feito por volta das 23h ou meia-noite. ''Dessa forma, a digestão não é prejudicada, não há fermentação e nem diminuição do ritmo metabólico.''