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Consumo excessivo

Vilão: carboidrato é o maior causador da obesidade

Redação Bonde
31 dez 1969 às 21:33

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Reprodução
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O aumento da obesidade e do sobrepeso na população brasileira está mais relacionado ao consumo excessivo de carboidratos, como arroz, massas e batata, do que à ingestão inadequada de gordura. A afirmação é do estudioso sobre alimentação Leandro Zanutto, que há dez anos pesquisa engenharia biomédica para investigar as respostas orgânicas que os alimentos provocam.

Segundo Zanutto, a pirâmide alimentar sugerida pelo Ministério da Saúde brasileiro propõe cerca de 70% de consumo de carboidratos e apenas 30% de proteínas, que são oferecidas pelas carnes, peixes, frango e soja, e de gorduras. "A alimentação do brasileiro é riquíssima em carboidrato, a cesta básica inclui uma latinha de atum que não dá nem para o consumo diário de proteína para uma pessoa. E entre carboidrato, proteína e gordura, o carboidrato é o que a pessoa menos precisa em termos nutricionais. Não em termos energéticos, em termos nutricionais", explica Zannuto.

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Para ele, a diminuição na ingestão de carnes com gordura, observada pelo ministério por meio da pesquisa Vigitel, feita em todas as capitais com pessoas adultas, não é um fator que vá necessariamente ajudar na queda da obesidade – doença que já atinge 13% da população. Outros 43,3% estão com o peso acima dos níveis recomendados (sobrepeso). "A queda no consumo de carnes gordurosas pode ser considerado um avanço sim, porque essa gordura não vai trazer benefícios diretos para o organismo, e esse consumo excessivo pode ser prejudicial porque a gordura poderá colar no interior das artérias. Mas não é de todo ruim o consumo de gorduras com as carnes, porque alguns tipos de gorduras estimulam a sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa coma menos", explica Zanutto.


O pesquisador ressalta ainda que o consumo de gordura não está diretamente ligado à obesidade. "Acharam um vilão para a obesidade e tentam associar isso à gordura, sendo que comer gordura não te faz mais gordo, não necessariamente vai aumentar seu colesterol. O consumo de carboidrato com toda certeza está mais relacionado ao excesso de peso e obesidade."


Equlíbrio


Após se desligar como pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Zanutto se dedica a uma empresa privada de pesquisas na área de longevidade saudável. Ele ressalta que a alimentação deve ser voltada para o equilíbrio hormonal. Para isso, é necessário adotar uma dieta em que as proporções de carboidratos, proteínas e gorduras sejam mais equilibradas, e lembrar que frutas e hortaliças também são carboidratos.


As velhas dietas que levam em consideração os valores calóricos dos alimentos são "vazias", na opinião de Zanutto. "Tudo no seu corpo funciona de acordo com os hormônios. Eles são a chave para o funcionamento do organismo. Então, se eles estiverem desequilibrados, todo o resto vai estar também", explica.


"Ninguém engorda por excesso de caloria. Se fosse assim não teriam pessoas que se entopem de comer porcarias e não engordam. A gente engorda por um desequilíbrio hormonal", completa.


O consumo de leite também é criticado pelo pesquisador. De acordo com o Ministério da Saúde, o leite é uma boa fonte de cálcio, mas o consumo de leite integral por 56% da população preocupa em função da gordura presente nele. Mas, Zanutto alega que o cálcio deve ser procurado em outros alimentos e o leite deve ser ingerido apenas fermentado, na forma de iogurtes ou queijos bem curados. "Sou contra o consumo de leite. O ser humano não foi feito para tomar leite, ainda mais de outra espécie. Nem o bezerro toma leite da própria mãe depois que cresce. São mais do que conhecidos os efeitos alérgicos do leite", alega.


Para finalizar, Zanutto também critica a comum substituição do açúcar pelo adoçante. Segundo ele, nenhum dos dois faz bem, mas o aspartame – uma das substâncias que dá o efeito adocicado na maior parte dos adoçantes – é muito mais prejudicial à saúde. Assim, segundo o pesquisador, o ideal é que as pessoas deixem de usar os dois e passem a consumir os alimentos naturalmente doces, como as frutas. "A maioria das frutas já é adoçada naturalmente, mas o paladar já está tão viciado pelo açúcar dos produtos industrializados que as pessoas não sentem o gosto", explica.


Menos gorduras


De acordo com o estudo Vigilância e Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado nesta terça-feira (07) pelo Ministério da Saúde, o índice de pessoas que consomem carne com gordura caiu de 39,2% em 2006 para 33,8% em 2008. Já o consumo de frutas e hortaliças cinco dias na semana subiu 23,9% para 31,5%. Quando a quantidade observada são os 400 gramas diários recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – o que significa algo em torno de cinco porções por dia, cinco dias na semana – o número de pessoas que alcançam o valor também subiu de 5,6% em 2006 para 15,7% em 2008.


A jornalista Ana Cristina Padilha, de 29 anos, procura controlar a alimentação e incluir nas principais refeições, durante a semana, carne magra, salada, arroz integral e feijão. Ela faz parte do perfil que o Ministério da Saúde observa que tem sido cada vez mais adotado no Brasil.


"O que eu procuro fazer é controlar melhor a alimentação durante a semana para no fim de semana poder extrapolar um pouquinho num doce ou numa fritura", explica Ana. A idéia de compensação expressada por ela também é compatível com alguns paradoxos apresentados pela pesquisa. Apesar da diminuição do consumo de carnes gordurosas e do aumento da presença de frutas e hortaliças na dieta, os brasileiros ainda apresentam um alto consumo de leite integral (com gordura) – 56,5% dos brasileiros tomam o leite desta forma. O consumo de refrigerantes também é alto, 27,8% da população ingere o produto regularmente. Quando se trata de jovens entre 18 e 24 anos, o número sobe para 39%.


Nenhum dos dois itens, entretanto, está presente na dieta de Ana Padilha. Ela diz que há algum tempo trocou os refrigerantes do tipo diet ou zero açúcar pelos sucos e não costuma tomar leite. "Quando vou consumir laticínios eu como queijo branco, do tipo minas frescal. Quase nunca tomo leite e quando isso acontece eu prefiro os desnatados", conta Ana. Esse também é um padrão observado no estudo: o consumo de leite gorduroso cai com a idade e com o aumento da escolaridade, mas sempre fica acima de 40% da população.

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Todos os cuidados de Ana com a alimentação expressam uma briga antiga com a balança e em busca de mais saúde. Com índice de massa corporal (IMC) de 23, a jornalista não atinge o grupo das pessoas com sobrepeso, que são as que têm IMC de 25 ou mais. Nem tampouco está obesa, com IMC a partir de 30. "A vida toda eu sempre tive essa preocupação com controle de alimentação para perder ou manter peso. Mas, depois de uma certa idade a gente começa a se preocupar também com a saúde, com o envelhecimento saudável", explica.


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