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Elegia para os cristãos mortos na Páscoa

28 mar 2016 às 17:28
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Não teve suficiente destaque na grande mídia a notícia de que mais de 70 cristãos foram mortos e 240 ficaram feridos em um atentado suicida no Paquistão. O ataque do homem-bomba, militante do Talibã e do Estado Islâmico, aconteceu em pleno Domingo de Páscoa, a maior e mais sagrada festa do cristianismo. Entre as vítimas, estão 29 crianças que brincavam em um parque.

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Essas pessoas — essas crianças — morreram por um único motivo: eram cristãs. Morreram porque ousavam acreditar na Ressurreição de Jesus Cristo, mesmo vivendo em um país de esmagadora maioria muçulmana. Os ataques contra a minoria de cristãos paquistaneses — menos de 2% da população do país — se tornaram frequentes nos últimos anos. H0je o cristianismo é a religião mais perseguida no planeta.

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Em meio às informações sobre a tragédia no Paquistão, a Igreja Católica teme pela vida do padre indiano Tom Uzhunnalil, sequestrado por militantes do Estado Islâmico no início do mês. Os terroristas ameaçavam crucificá-lo em plena Sexta-Feira Santa.


Diante de notícias tão cruentas, devemos perguntar se apenas mensagens de paz, apelos à tolerância e protestos diplomáticos são suficientes para conter esse mar de sangue do radicalismo islâmico. É óbvio que não. É óbvio que esses crimes — assim como os recentes atentados na Bélgica — precisam ter uma resposta que vai além das palavras piedosas e dos apelos ao bom senso. Bandeiras brancas e pombas da paz nada significam para os agentes do mal absoluto.


Nessa hora, eu me lembro das belíssimas palavras do poeta russo Joseph Brodsky — ele próprio vítima do mal absoluto chamado comunismo — numa aula inaugural a estudantes norte-americanos. De origem judaica, Brodsky faz uma leitura inteligentíssima — e teologicamente irrepreensível — da passagem do Sermão da Montanha em que Jesus afirma: "Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra".

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Brodsky alerta para os perigos de citar essa passagem bíblica de maneira incompleta. Atento leitor, o poeta russo observa que o Filho do Homem costumava falar em tríades e acrescenta à mesma afirmação, prosseguindo sem ponto nem vírgula: "Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil".


Lidos na íntegra, os versículos "pouco ou nada têm a ver com resistência não violenta ou passiva". Segundo Brodsky, as palavras de Jesus sugerem que o mais necessário é revelar a verdadeira face do mal, em todos os seus excessos e absurdos. E continua o poeta: "Quero lembrar aqui que não estamos tratando aqui de uma situação que envolva uma luta justa, em condições de igualdade. Estamos falando de situações nas quais nos encontramos desde o início numa posição inevitavelmente inferior. (…) Ao avançarem o rosto com a face voltada para o inimigo, vocês devem saber que isto é apenas o início de sua provação". Para Brodsky, formular a nossa ética e as nossas ações com base em um versículo citado incorretamente nada mais é do que buscar o fracasso e ceder terreno ao Mal para que ele se estabeleça e nos escravize.

Mais do que nunca, os cristãos do mundo inteiro têm o dever de expor a natureza do mal representado pelo terrorismo, seja ele islâmico, seja ele revolucionário — ou islâmico-revolucionário. Não é porque as nossas faces estão, ao menos por enquanto, protegidas do terror que temos o direito de silenciar diante do sofrimento de nossos irmãos espalhados pelo mundo. Se não houver uma reação mundial a essa escalada mortal, a maré de sangue chegará até mim, até você, até aqueles que você ama.


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