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Lula, o bezerro de ouro

04 mar 2016 às 08:39
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Escrevi esta crônica ontem, sem saber que a manhã de sexta-feira seria histórica para o Brasil:

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1. Já que muitos petistas consideram Lula um deus, o mais recente delator da Operação Lava Jato deveria mudar seu nome para Deicídio Amaral. A profundidade e a extensão das denúncias feitas pelo senador colocam o governo federal, o Partido dos Trabalhadores e praticamente todo establishment político brasileiro em uma situação insustentável.


2. A Dilma, cabe renunciar. Ao PT, autodissolver-se. A Lula, entregar-se imediatamente ao juiz Sérgio Moro. Não há outra atitude aceitável em nenhum dos três casos. A personagens como Cunha e Renan, a porta de saída também é o único caminho a seguir. O Brasil está assistindo à dissolução completa do estamento burocrático (para usar uma expressão de Raymundo Faoro, fundador do PT).


3. O primeiro mandamento dado por Deus a Moisés no Monte Sinai era bastante claro: "Não terás outros deuses diante de mim". Mandamento esse que começou a ser desrespeitado antes mesmo de Moisés descer do Sinai com as tábuas da Lei. Impacientes, os compatriotas de Moisés fizeram um bezerro de ouro e passaram a adorá-lo.


4. O episódio do bezerro de ouro se repete muitas vezes ao longo da história. E o fim é sempre o mesmo: trágico. Alexandre Magno, Gêngis Khan, César, Tibério, Henrique VIII, Robespierre, Napoleão, Lênin, Hitler, Mussolini, Stálin, Mao - todos eles se acreditaram deuses capazes de domar o tempo, o espaço e a consciência humana. Achavam-se acima da verdade e terminaram em cinzas, deixando montanhas de cadáveres como testemunhas.

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5. Sempre que um indivíduo quer ser incensado como um deus, torna-se um pobre-diabo. Veja os últimos momentos de cada um dos personagens citados no parágrafo anterior. São patéticos, são dignos de compaixão.


6. Lula é um desses bezerros de ouro que surgem de vez em quando na história. Mas não pode ser comparado aos tiranos mencionados: é um bezerro de ouro sem grandeza, sem glória, sem ouro. Em vez de matar as pessoas por fuzilamento ou guilhotina, procura assassinar reputações, zombar da verdade e destruir o futuro de milhões de compatriotas. Nas dificuldades dos próximos anos, nós pensaremos muito nele e em seus companheiros, "não como violentas almas danadas, mas como os homens ocos, os homens empalhados".


7. E se ainda é possível dar um sorriso em meio à hecatombe, registro que o grande furo com a delação de Delcídio Amaral deve-se à jornalista Débora Bergamasco, que estudou em Londrina.


(Crônica publicada hoje na Folha de Londrina.)


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