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O menino é pai do homem

30 mai 2016 às 09:33
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Pedro pergunta o que é o cosmos, e eu tento responder. Digo que o cosmos é um conjunto de todas as coisas que existem no universo: planetas, estrelas, constelações, galáxias e a nossa casa.

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— Até o grãozinho de areia, papai?


— Até o grãozinho de areia, meu filho.


Então ele me pergunta se Deus é o cosmos. Eu respondo que não: Ele é maior que o cosmos, pois criou tudo que existe por amor. Sem o amor de Deus — que nós cristãos denominamos Espírito Santo —, o ser humano estaria perdido em um universo indiferente. É o amor que liga o menor grão de areia aos confins do universo.


A propósito, há uma excelente frase do papa João Paulo II, o santo do nosso tempo, que li alguns dias atrás: "A pessoa é um ser para o qual a única dimensão adequada é o amor. Nós somos justos no tocante a uma pessoa se a amamos: isto vale tanto para Deus quanto para os seres humanos. O amor por uma pessoa exclui que se possa tratá-la como um objeto de gozo".

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Crimes como o roubo, o estupro e o homicídio não podem ser atribuídos ao conjunto da sociedade. Um homem que faz fiu-fiu na rua pode estar cometendo um ato grosseiro, mas NÃO É cúmplice de estupradores. Uma garota que fura a fila do banco fez uma coisa reprovável, mas NÃO É cúmplice do assalto à Petrobras. Um jovem que atravessou fora da faixa desrespeitou uma norma de trânsito, mas NÃO É um assassino. Até porque — volto a afirmar —, se todos são culpados, ninguém é culpado!


Se queremos ter um país livre da corrupção e da violência, precisamos julgar os acusados um a um, garantindo-lhes o direito constitucional de defesa, como está fazendo a Operação Lava Jato. O crime não consiste em ter votado no PT ou na esquerda, mas em participar de práticas lesivas ao bem público.


Nesta coluna, sempre faço declarações de amor públicas. É a minha maneira de dizer que um homem deve tratar os semelhantes com respeito e dignidade. O amor ao próximo não é um sentimento abstrato e coletivo, mas concreto e individual.


Quando o cara só ama abstrações coletivas, na verdade só ama a si mesmo. O aproveitamento político do recente caso de estupro, por parte de grupos militantes, é a demonstração cabal de como o pensamento coletivista pode ser cúmplice do estupro à verdade. Para se ter uma ideia do oportunismo ideológico desses grupos, tem gente dizendo que o impeachment da sra. Dilma foi um "estupro coletivo". Dizer isso não passa de uma descomunal falta de vergonha na cara!


"O menino é pai do homem;/ Que todos os meus dias sejam/ Unidos um a um por piedade natural", diz o famoso poema de William Wordsworth. Punir todos os homens em nome do crime de alguns ou perdoar o crime de alguns em nome de todos os homens são atitudes gêmeas: equivalem a matar a criança dentro de nós. Não matem a criança; tentem ser dignos de quem ela será amanhã.

(Coluna dedicada ao querido tio Dinho, irmão mais velho de meu pai, que partiu neste domingo.)


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