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A felicidade que encontramos na simplicidade

09 set 2011 às 09:43

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Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade
Madre Teresa de Calcutá

Quando resolvi passar um fim de semana em meio a camponeses que vivem em situação precária em barracos de lona num pedaço de terra, já sabia o que ia encontrar por lá. O que eu não sabia é que de lá eu sairia modificada pela beleza que encontrei na paz de tantos sorrisos.


A vida urbana, muitas vezes, nos corrói. Corrói a mente, a saúde, o corpo como um todo e principalmente, corrói nosso espírito. A agilidade como as coisas tem acontecido e o tempo passando tão veloz sobre nossos olhos nos impedem de enxergar o próximo que está ao nosso redor. Mais que isso, nos impede de sairmos de nosso "casulo", de nosso comodismo, para irmos até eles.

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No campo eu encontrei gente vivendo de maneira precária. Há mais de ano vários deles não sabem o que é energia elétrica. Tomam banho de água fria mesmo nos dias mais frios. Bebem a água suja capaz de disseminar doenças. Caminham por entre ratos, aranhas e cobras. Convivem com os carrapatos dos cavalos, com o mau cheiro do lixo que precisam queimar - de tempos em tempos - para que o montante não inviabilize o seu amanhã.


Dentro dos barracos, brinquedos de crianças da cidade alegram os pequenos que por ali vivem. Mas nada era capaz de agradar de forma tão intensa o pequeno Micael: uma simples bola e seus bichos de estimação, um gato, um cachorro e uma família de patos que passesam entre o interior do barraco e a sujeira dos porcos.


Na simplicidade do campo eu encontrei mulheres determinadas, homens de espírito forte, crianças com uma alegria sem fim. Enquanto eu achava que poderia doar algo de mim para eles, foram eles que doaram para mim aquela energia toda. Sem modernidade, sem roupa da moda, sem veículos ou uma geladeira para manter seus alimentos. Por ali a única energia que eu encontrei foi a força do ser humano da luta diária da superação.


Todo mundo que mora na cidade devia de tempos em tempos ir para o campo. A noite iluminada pelas estrelas e pela lua é capaz de mudar totalmente a nossa vibração. Enquanto eu caminhava com dificuldade para enxergar os pequenos passos a minha frente, era só levantar a cabeça e enxergar uma luminosidade fantástica diante de meus olhos. A luz natural da vida cósmica pairava sobre nossas cabeças e eu agradeci por estar ali.


Deus não escreve certo por linhas tortas. Nós é que insistimos em não compreende-lo e dificultamos que as coisas que podem fluir nas nossas vidas. No campo ninguém está preocupado com o amanhã, eles vivem a cada dia saboreando as dificuldades da vida mas com o prazer das coisas belas que chegam a eles naturalmente.


O respeito mútuo, a integridade da família, as crianças que olham nos seus olhos ao falar. Por lá encontrei também, a paixão pela terra, pelo fruto que brota da terra, o capricho e o cuidado no cultivo de uma horta, a paixão pelos animais, o arrumar o que já é desarrumado, o limpo no sujo, a paz no caos.


Felicidade é assim. Coisas do dia a dia que menos esperamos. Viver sem pressa de que as coisas possam acontecer. Não esperar nada além do que já se tem porque o que temos já é imensamente belo e valioso: a vida. E é por ela devemos lutar, sem querer mais do que o básico para se viver. Amando, se alimentando e procriando.

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Duas noites num barraco de lona onde o breu tomava conta dos meus olhos e o barulhos do vento agitava a noite estrelada, foram capazes de me ensinar um pouco mais sobre os mistérios da vida. A vida que acontece do jeito que tem que ser, com as dificuldades que necessitam ser e com as pessoas que sofrem por sofrer. Mas a vida só é vida porque acontece assim, sem planos, sem caprichos ou expectativas. Ela é simples, como o sorriso e a brincadeira do Micael, que faz do instante que acontece num meio tão difícil, momentos de completa felicidade.


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