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Divaldo Franco: Entrevista e palestra em Londrina

07 mar 2010 às 11:54
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RESPOSTA ESPIRITUAL - Espiritismo em alta
Tema está em voga por conta da comemoração do centenário de nascimento de Chico Xavier

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Fernanda Borges
Reportagem Local

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No ano em que o Espiritismo deve ser bem difundido pelo marco em homenagem ao centenário do médium Francisco Cândido Xavier, que morreu em 2002, o orador espírita Divaldo Pereira Franco afirma que somente quando a criatura humana tiver a certeza da imortalidade da alma se modificará para melhor.


O conferencista e médium, que já devota 60 dos seus 80 anos de idade à causa espírita, estará amanhã em Londrina para a palestra ''Atualidade do Pensamento Espírita'', no Londrina Country Clube, a partir das 20 horas (entrada franca).


Em entrevista à FOLHA, ele trata do agitado período do movimento espírita e aborda o momento de transformação pelo qual o planeta Terra passa, de acordo com o que a doutrina prega.

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Este ano é comemorado o centenário do nascimento de Chico Xavier e muitos trabalhos abordando o Espiritismo estão prestes a ser lançados, como novela, filmes e até histórias em quadrinhos. Como o senhor avalia esse momento para os espíritas?


É evidente que a divulgação em massa da Doutrina Espírita conforme se encontra nas obras fundamentais, que constituem a Codificação, tem um significado extraordinário, em razão de poder propiciar aos que a desconhecem os seus fundamentos lógicos, apoiados na razão, que enfrenta a fé face a face em todas as épocas da humanidade. Chico Xavier não é apenas um símbolo do verdadeiro espírita, mas um exemplo digno de ser seguido por qualquer indivíduo que aspire ao bem e ao ideal de construção da humanidade feliz. Todas as homenagens que lhe estão sendo feitas, representam o mínimo da nossa gratidão, pelo quanto ele realizou durante sua nobre existência.


Como o senhor avalia a problemática da criminalidade nos dias atuais, principalmente na questão em que envolve jovens atraídos pelas drogas. Esses problemas têm relação com a transformação da categoria do planeta Terra, como os espíritas avaliam, de provas e expiações para um mundo de regeneração?


De certo modo sim. A questão tem raízes históricas, sociológicas, educacionais e de comportamento religioso. Durante muitos séculos a castração religiosa e a hipocrisia social limitaram o comportamento das crianças e jovens, assim como dos cidadãos em geral. Ameaças religiosas de punições eternas, necessidade de comportamentos falsos, mascarados de civilizados, exigências domésticas descabidas, severidade de julgamentos eram impostos como fundamentais para uma sociedade correta. Na cultura hippie do gozo e do prazer, o matrimônio, a família e a sociedade passaram a ser instituições superadas, surgindo a vulgarização da conduta sexual, o abuso de toda natureza, a libertação da mulher, aliás, muito justa, o uso de estupefacientes e de drogas em geral.


A decantada volta às origens, aspirada pelos jovens, deu lugar a adoção de doutrinas orientais, mais compatíveis com a meditação e a fuga psicológica dos deveres e às viagens em direção a lugar nenhum. Logo depois, vieram a desilusão, o sofrimento defluente dos excessos, o retorno para casa, como afirmou John Lennon, porque ''o sonho acabou''. Ficaram as feridas morais, as drogas, o erotismo, a alucinação do prazer e as grandes sequelas da depressão, da ansiedade, da solidão, da violência.


Por outro lado, a família tradicional cedeu lugar à moderna, em que tudo era permitido, facultando aos pais não mais se preocuparem com os filhos que, se sentindo órfãos, fugiram para as tribos, os acasalamentos e a promiscuidade sexual, o rebaixamento moral.


Só quando a criatura humana tiver a certeza da imortalidade da alma, conhecer a responsabilidade dos seus atos, dando-se conta que é construtora do seu destino, sempre responsável pelo seu comportamento, vivenciando a lei de causa e efeito, modificar-se-á para melhor, assumindo conscientemente as consequências positivas e negativas dos seus atos, assim trabalhando em favor da paz e da justiça social.


A questão ambiental tem chamado a atenção dos governantes do mundo todo, revelando que está havendo mudanças drásticas em todo o planeta e que o ser humano será o primeiro a sofrer as consequências. O que o Espiritismo diz sobre esses problemas?


O ser humano tem o dever de preservar a natureza. É lamentável que o comportamento mental das criaturas ainda vinculadas ao egoísmo perturbem a grande mãe Terra, envenenando a sua atmosfera com os gases danosos, (poluindo) os rios, mares e lagos, as nascentes de águas, destruindo as florestas, em decorrência da ganância agrícola, pastoril ou imobiliária, sem nenhuma consideração pela vida. O Espiritismo trabalha com seriedade pelo ambientalismo, pelo respeito a tudo e a todos.


O Espiritismo surgiu na França e, no entanto, há mais brasileiros espíritas que europeus, de acordo com dados do próprio IBGE. Como o senhor avalia essa numerosa quantidade de espíritas no Brasil?


Do ponto de vista histórico, a França sofreu três guerras calamitosas, após o advento do Espiritismo: em 1870 a franco-prussiana, de 1914 a 1918 a Primeira Guerra Mundial e de 1939 a 1945 a Segunda Guerra Mundial, o que prejudicou enormemente a divulgação do Espiritismo, assim como a preservação das religiões dogmáticas. As novas gerações, algo amarguradas, preferiram as filosofias existenciais de Jean Paul Sartre e Madame Simone de Beauvoir, assim como de outros pensadores, deixando à margem as propostas religiosas. Sob o aspecto espiritual, acreditamos que um grande número de espíritas do século 19 eram espíritos de origem francesa que se reencarnaram no Brasil, e que ao receberem uma doutrina como o Espiritismo, com a sua dialética alicerçada na lógica, facilmente aceitaram os seus conteúdos. Renasce hoje, o Espiritismo na França e em toda a Europa, graças a muitos brasileiros espíritas lá residentes, aos que as visitam com frequência para divulgá-lo e aos nobres esforços do Conselho Espírita Internacional (CEI).


Ainda há por parte dos leigos muita dúvida e principalmente preconceito em relação ao Espiritismo, ainda mais quando há a falta de informação. O que o senhor diria às pessoas que contestam a doutrina?


Não há, entre nós, os espíritas, a preocupação de impor o conhecimento do Espiritismo, mas o saudável objetivo de o propor, de o apresentar àqueles que o desconhecem ou o conhecem en passant. Temos o interesse de apresentar uma doutrina que é uma ciência que investiga, uma filosofia que esclarece e um (princípio) ético-moral de natureza religiosa que conforta, encaminhando a criatura de volta a Deus. Todos temos perguntas e o Espiritismo possui respostas. Nada obstante, se alguém o recusa e o contesta sem o conhecer, respeitamos a sua atitude, mas compreendemos que se trata de presunção porque ninguém pode combater o que ignora. Deixamos que o tempo, o grande transformador, faça pela pessoa o que ela, no momento, evita fazer-se a si mesma, que é o esclarecimento.


Serviço:
Palestra com Divaldo Franco, "Atualidade do Pensamento Espírita", no Londrina Country Clube, às 20h, nesta segunda-feira, dia 8. Entrada franca.

Entrevista publicada na Folha de Londrina de hoje, 7/3/10


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