Despertar

Escritos de Chico Xavier

07 set 2011 às 22:24

ANTES DA LUTA

Da montanha de luz, a alma contempla o vale escuro em que lhe compete trabalhar, na aquisição dos valores imperecíveis para o vôo aos Céus Mais Altos, e aprecia os aspectos da luta sob o prisma adequado à sua justa ascensão...


Cabe-lhe tomar a veste física, por algum tempo, à maneira do aluno que se prepara convenientemente para o ingresso à escola em que se habilitará a competência ante o serviço mais nobre.


E o espírito reflete em termos de eternidade, disputando o trabalho mais árduo como recurso eficiente à vitória que almeja.


A opulência material afigura-se-lhe deplorável pobreza de elevação. O contentamento de si próprio na gratificação dos sentidos aparece-lhe por reclusão no clima entorpecente do egoísmo.


A beleza física surge-lhe ap discernimento por perigoso empecilho ao triunfo, nas qualidades que pretende adquirir e aperfeiçoar.


A evidência social é interpretada ao seu correto juízo por fixador de lamentáveis ilusões, embora as nobres responsabilidades que essa mesma evidência é portadora. O brilho da intelectualidade vazia sugere-lhe o acesso fácil à cristalização na vaidade e no orgulho.


E a casa terrestre sem problemas se lhe destaca à observação por túmulo de ameaçadora ociosidade em que, provavelmente, se lhe congelarão os melhores impulsos de aprimoramento.


Incorporado, porém, ap vale, eis que freqüentemente se deixa enganar por miragens e fantasias, fugindo deliberadamente à realidade que, mais tarde, somente a dor e a morte lhe impõem de novo ao olhar.


Ninguém menospreza a luta e a provação, o trabalho e a dificuldade que, na Terra, nos favorecem com o burilamento espiritual para a Vida Superior.


Façamos de cada dia um capítulo de serviço e bondade no livro de nossas relações ante a vida e os nossos semelhantes!


Que a alegria e a esperança, o otimismo e a fé nos iluminem a estrada, ainda mesmo quando sejamos induzidos a libertar nossas aflições em forma de lágrimas!

Sejamos, hoje, corações fraternos e amigos, irmanando-nos uns aos outros na solução dos enigmas que nos são próprios à experiência comum, porque, amanhã, a morte nos terá reunido novamente a todos no templo da vontade, furtando-nos ao engodo da fantasia e restabelecendo-nos a visão.


* Pelo espírito Emmanuel no livro "Família".


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