Foto: Fábio Ciquini
"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá, mais se tem".
Saint-Exupéry
Quando olhei pra ele, depois de semanas fazendo contato com sua mãe por telefone, fiquei impressionada com o que vi. Quando me falaram de um menino de 9 anos que havia recebido a medula do próprio irmão e que teria ficado muito debilitado, não imaginava ver o pequeno Daniel tão feliz e sorridente.
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Confesso que fiquei desconcertada e a vontade que tive foi de ficar lá no hospital até a hora que ele fosse embora só pra ficar "papeando" com ele. Porque apesar de eu não ter visto seu rostinho inteiro, o olhar de Daniel foi suficiente para me revelar a linda vida que renasce naquele corpo tão pequeno e ainda magro.
Ele não parava um só minuto. Fazia tudo o que eu ou o fotógrafo pedíamos. Paciente, ele pousou pra foto e sorriu com um sorriso sincero, feliz.
Há pouco menos de um ano ele estava muito mal e quase não sobreviveu a doença que tinha, uma enfermidade que impedia a medula de produzir sangue e por isso precisou de um transplante. E foi dentro do próprio lar, na humilde família de cinco irmãos que vive na zona rural de Apucarana (PR), que Daniel encontrou a salvação para sua vida.
Por falta de um, dois de seus irmãos mais novos eram compativeis e podiam doar a ele a medula. Mas bastou a medula do irmão Mateus, de 7 anos, para ele voltar a ser o Daniel, que eu não conheci antes, mas creio que já demonstrava tamanha doçura.
E assim Daniel continua a viver. Com o sangue bombando em suas veias, fruto de uma medula que hoje funciona perfeitamente e que seu irmãozinho mais novo nem sentiu nada ao doar. Esclarecido com o ato de amor que fez, apesar da infância que ainda vive, o irmão de Daniel faz questão de dizer a todos quando perguntam a ele sobre a saúde do irmão: "Ele está bem, graças a Deus e a mim".
As pessoas que precisam de transplante enfrentam o desafio de encontrar uma medula compatível, em um universo que pode ser de 1 a cada 100 mil, chegando até 1 milhão. Há tempos eu queria ser doadora e nunca havia tomado a iniciativa. Depois de ver o sorriso do Daniel não tive dúvidas, nem perdi mais meu tempo.
Assim como Daniel, milhares de outras pessoas precisam passar por um transplante de medula óssea. A única questão é que a grande maioria não tem a mesma chance que Daniel teve de encontrar doadores compatíveis dentro de sua casa. Por isso, quando mais pessoas se cadastrarem como doadores, mais chances essas milhares de pessoas terão em encontrar um doador compatível.
Se você sentir no seu coração que deve fazer isso, você precisa apenas:
- Ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante).
- Você pode se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros do seu Estado. Em Londrina você pode procurar o Hemocentro Regional pelos telefones (43) 3371-2366 ou 3371-2468