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A Lúxuria da Miséria - e outros poemas de Rosani Abou Adal

13 out 2021 às 20:51
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A Luxúria da Miséria
Rosani Abou Adal
O ouro da luxúria em contraste
com o ouro da miséria.
Pregadores de palavras sem fé
discursam para os flagelos humanos sobre as calçadas.
A maioria não escuta frases profanas.
A única palavra traduzida em seu dicionário interior
é a miséria habitante da sua alma que resplandece
entre a Catedral e a Sé.
Placas com propagandas da luxúria fazem contraponto
com os cartazes de vaquinhas para a cachaça.
Aceitam pix e cartões.
Barracas habitadas de famílias sem casas
fazem um novo desenho na praça.
A fome é saciada pela marmita doada,
entretanto a fome habitante
do seu coração é insaciável.
Um homem sem nome, sem eira nem beira,
sacia o banho minguado na torneira instalada em frente ao Pateo do Colégio.
Ele transcende na água o instante da fragilidade do tempo humano
- um sopro frágil em recortes -
repleto da esperança irmanada pelo badalar
do meio dia do sino da Sé.
A Caixa Econômica apenas penhora
o ouro da luxúria.
O ouro do interior da alma crackelada de fome,
sonhos e miséria é impenhorável.
Uma senhora lava os pés,
as mãos, o corpo no chafariz
e volta a sorrir esperançosa pela vida.
Os brotos das sementes humanas,
suas flores e frutos,
o início de uma nova era mais acolhedora,
repleta de cores e esperanças.
Enfrenta a fila imensa para conseguir uma marmita.
Sacia a fome e a sede.
De barriga cheia,
deita na cobertura embaixo da marquise.
Abraça o roedor companheiro da noite.
Fecham os olhos e sonham com um novo amanhecer
Sem os ratos donos do poder,
roedores dos farelos das suas almas.
A cidade amanheceu azul
repleta de flores humanas e de solidariedade.

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Rosani Abou Adal

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Futuro Neon
Rosani Abou Adal
​Flores brotam no coração da Sé,
a Catedral sorri em uníssono.
O chafariz ilumina e acolhe
os homens sem teto e sem fruto.
Os sonhos refazem a vida que colhe
esperanças no altar mor das ilusões.
O evangelho é proclamado
pelos fiéis no banco da praça.
Menores fumam craque e cheiram cola
em busca de um futuro neon.
As calçadas de plástico clamam em nome da paz.
Eremitas vendem sonhos nas ruas.
A Catedral da Sé, um poliedro de esperanças.
Os pratos vazios amanhecem no ventre
da cidade desvairada
e, nas escadarias, Mário de Andrade
canta Salmos e bebe Kyries.
Fome - grita alguém do outro lado.
Sede - exclama o comedor de fogo.
Milhões de pessoas a naufragar
no silêncio da melodia muda.
Ninguém escuta os filhos da mesma aurora.
Pausa - a cidade ensurdece e emudece.
A fome e a sede, as cores vivas do País



*

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