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Isabel Furini
Isabel Furini
06/11/2019 - 06:50
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A POESIA E AS MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS

* Isabel Furini

"A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero.” Octavio Paz – Livro "O Arco e a Lira”.

Alguns perguntam: Qual é o papel da Poesia na vida humana? A Poesia ajuda a enxergar o mundo com olhos diferentes, ressignificando-o. Ela permite expressar emoções, sentimentos, pensamentos ideias, além de brincar com palavras ... A Poesia além da função estética (arte da palavra e expressão do belo), tem um aspecto lúdico. Pode provocar e questionar o leitor. A Poesia ajuda a entender e a transcender o cotidiano. Seu caminho não é o da argumentação nem da lógica, seguindo os caminhos da intuição e da emoção. A poesia é subversiva.

A Poesia é um oceano imenso – vai do lúdico à catarse, da emoção ao jogo linguístico.

Ao ouvir a pergunta: - Para que serve a Poesia? - Jorge Luís Borges inquiriu: – "Para que serve a morte? Para que serve o sabor do café? Para que serve o universo? Para que sirvo eu? Para que servimos? Se uma pessoa lê uma poesia e se é digna dela, a recebe e agradece e sente emoção. E não é pouco isso. Sentir-se comovido por um poema, não é pouco. É algo que devemos agradecer”.

A LINGUAGEM POÉTICA

O Discurso, a linguagem poética, adquire valor fundamental no trabalho poético: os jogos linguísticos, a singularidade, as figuras de linguagem, o sentido figurativo das palavras, o uso das palavras de maneira original.

Assim como o oleiro trabalha a argila para criar objetos diferentes (pratos, vasos para flores, etc.), a linguagem poética é um dos trabalhos mais árduos para o autor. O poeta trabalha a argila das palavras para expressar a sua subjetividade.

Os livros enfatizam que a origem da palavra Poesia é Poíesis que, em grego, é um verbo e significa fazer, criar. O poeta era considerado, portanto, o criador, o artesão da palavra. Mas a forma mais arcaica para designar o poeta era aedo, etimologicamente, faz lembrar "aedon”, rouxinol. Na Grécia antiga os poetas declamavam e cantavam suas obras. Eram rouxinóis das palavras. Na época atual, ressurgiram os recitais de Poesia e os Saraus literários. Muitos poetas gostam de declamar as suas obras.


A POESIA COMO RECEPTÁCULO

A poesia não é uma caixa vazia, ela guarda conteúdos subjetivos: palavras, emoções, imagens, pensamentos, sentimentos, ideias, afetos e desafetos, temores e espanto. A poesia pode ser comparada com uma caixinha de surpresas – nunca sabemos o que guarda no seu interior. Um poema pequeno, pode ser um poema riquíssimo em conteúdo e sensibilizar o leitor.

Já falamos que, nesta época, voltaram os saraus onde música e poesia confraternizam. O mundo de hoje é caótico e paradoxal, onde se escreve e se publica mais, e, no entanto, se pensa menos. A poesia que antigamente chamava à reflexão, hoje é apenas utilizada como um chamariz por muitos novos poetas, que apenas querem chamar a atenção para si nas redes sociais. Vivemos numa época de hiperprodução, onde as pessoas escrevem e publicam quase imediatamente. A rapidez da comunicação nos meios digitais raramente cria um ambiente reflexivo. A maioria das pessoas não está interessada em ler poesia que toque sua alma, e acabam por somente "curtir” os poemas dos amigos, sendo que geralmente nem se dão ao trabalho de fazer uma leitura reflexiva.

Nem tudo é superficial nas redes, pois existem grupos que publicam poesia e incentivam a boa produção literária. Em alguns grupos de estudo, há debates literários e pessoas que divulgam trabalhos excelentes.

Isabel Furini
e-mail: [email protected]

Quadro de Carlos Zemek
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Isabel Furini
 
Isabel Furini, escritora e educadora. Recebeu prêmios em concursos de poesia e de contos. Publicou 15 livros, entre eles: Mensagens das Flores e Ele e outros contos. Também escreve para o público infanto-juvenil. É autora da coleção "Corujinha e os Filósofos" da Editora Bolsa Nacional do Livro de Curitiba.



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