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Análise

Dia do Frango: milho, aval religioso e preço de carne bovina alavancam produção

Paulo Ricardo Martins - Folhapress
10 mai 2024 às 09:55

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Reprodução/Canva
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A produção e a exportação de carne de frango vêm crescendo no Brasil. O segmento é impulsionado pela forte produção brasileira de milho e soja, usados na alimentação das aves, e pelo seu custo mais baixo nos açougues e aviários, frente a uma carne bovina cujo preço ficou mais caro durante a pandemia.

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O setor comemora nesta sexta-feira (10) o Dia Mundial do Frango.


Segundo dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), as exportações de carne de frango tiveram, em abril, o segundo melhor resultado da série histórica. Foram 480,7 mil toneladas do produto enviadas para fora, um crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado.


Em receita, foram US$ 882,2 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões, no câmbio atual) resultantes dos embarques arrecadados pelo setor somente no mês de abril.


Nos últimos quatro anos, o segmento disparou no volume exportado, passando de 4,2 milhões de toneladas em 2020 para 5,1 milhões de toneladas em 2023 –o valor era de 3,9 milhões em 2013.


Já a produção foi de 13,8 milhões de toneladas para 14,8 milhões de toneladas, na mesma base de comparação.


Segundo Luis Rua, diretor de Mercados da ABPA, um dos fatores que impulsionam a venda da carne de frango é a grande produção de milho e farelo de soja no país. Os grãos são usados na alimentação dos animais.


Ele também cita a segurança da carne brasileira frente a ameaças como a gripe aviária e o preço da carne bovina, que subiu durante a pandemia e deu espaço ao frango.


Além disso, Rua afirma que as resistências religiosas a outras carnes, como a de porco e a de boi, alavancam o frango em culturas mais restritivas.


"A carne de porco não pode ser consumida pelos muçulmanos. A carne bovina não pode ser consumida na Índia. Mas a carne de frango é universal, está presente na mesa de todos os lugares", afirma Rua.


Ele diz que uma pesquisa feita pela entidade mostrou que cerca de 96% dos brasileiros consomem frango –patamar que cai para 80% no caso das carnes de porco e de boi.


Ainda segundo a associação, cada habitante no país consome cerca de 45,1 quilos de carne de frango. Em 2013, a quantidade era de 41,8 quilos por pessoa.


O segmento foi um dos atingidos pelas enchentes do Rio Grande do Sul, que é o terceiro maior produtor e exportador de frango, de acordo com a ABPA. O estado participa com 11,4% da produção nacional e 14,8% das exportações.


Conforme monitoramento realizado por ABPA, Asgav (Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul) e SIPS (Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul), nesta quinta-feira (9), duas unidades frigoríficas estavam paralisadas no estado.


No período mais crítico, eram dez unidades paradas ou com operações fortemente prejudicadas.

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José Eduardo dos Santos, presidente da Asgav, afirma que ainda não é possível mensurar o estrago. "Não deve afetar preço neste momento porque não vamos deixar de produzir. Nós vamos desacelerar um pouco a logística de entrega por causa da situação das estradas", diz.


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