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Preço do milho recua

Vânia Casado - Folha do Paraná
15 nov 2000 às 11:20

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A cotação do milho recuou entre 6% a 7% nos últimos 15 dias, tanto no atacado como no preço pago ao produtor. Esse quadro reflete a postura do mercado que está descartando uma explosão de preços como vinha sendo previsto para os meses de novembro e dezembro. A queda de preços está sendo provocada pela entrada de produtos substitutos ao milho no mercado, como triguilho e milho de baixa qualidade em função da geadas. As importações já realizadas também deixaram abastecidas as grandes empresas consumidoras e a redução do plantel de aves foram fatores decisivos para a redução no consumo de milho esse ano.

O produtor que recebia em média R$ 11,04 a saca no início do mês, ontem estava recebendo R$ 10,70 a saca do produto ontem, segundo cotação do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral). No atacado, o preço caiu de R$ 12,80 a saca para até R$ 11,30 a saca, ontem. Ao contrário do que o mercado previa, os preços estão caindo em pleno período de entressafra e depois do milho safrinha ser praticamente dizimado pelas geadas no Paraná.

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A engenheira agrônoma do Deral, Rossana Catiê Bueno de Godoy, defende que houve algum erro de previsão. " Ou a safra nacional de milho foi superestimada ou o quadro de demanda foi subestimado", disse a técnica. Na sua opinião, a última hipótese pode ser mais indicada já que os agentes de mercado dificultam as informações para elaboração do quadro de oferta e demanda, principalmente esse ano onde quando se previa escassez do produto.


O assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, Flávio Turra, é da opinião que houve um excesso de importações e muitas dessas operações foram " escondidas" da imprensa, para que o movimento Greenpeace não tentasse embargar o desembarque do produto, sob a suspeita de ser transgênico. Turra ressalta que o quadro de escassez ainda permanece e até a entrada da nova safra, em meados de janeiro, há possibilidade de pequena retomada nos preços.


Num levantamento feito por Catiê nos principais estados consumidores de milho, o consumo vem sendo superestimado pela Conab- Companhia Nacional do Abastecimento. Ela aponta que o órgão federal prevê um consumo anual de 35 milhões de toneladas, enquanto no ano passado o consumo ficou em 33.239.544 toneladas, ou seja ficou abaixo do estimado. Com isso previa-se importar em torno de 2 milhões de toneladas no ano passado e foram importados apenas 822 mil toneladas.

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Outra correção foi promovida pelo Deral no Paraná, que está reavaliando os índices de produtividade que vão resultar no aumento da estimativa de produção para a safra 2000/2001. Segundo Catiê a reavaliação nas estimativas estão sendo motivadas pelo aumento do uso de tecnologia por parte do produtor. Com isso, o indice médio esperado que variava de 3.749 quilos por hectare a 4.108 quilos por hectare foi reavaliado para 4.097 quilos por hectare a 4.481 quilos por hectare. A técnica acrescenta que o material genético oferecido é de melhor qualidade e a técnica do plantio direto também está se ampliando, mesmo entre os pequenos produtores.


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