Quem passar ao lado do Cemitério São Pedro, na avenida Rio de Janeiro, entre este sábado (26) e domingo (27), pode se surpreender com pessoas empunhando latas de spray e pintando o muro. O local voltou a servir de tela para grafiteiros de Londrina e várias partes do Brasil, em um evento para discutir e difundir o estilo artístico. O evento é promovido pelo Capstyle Crew, formado pelos grafiteiros Napa, Carão e Huggo, os mesmos responsáveis pela intervenção feita há seis anos.
Com um começo ainda tímido na manhã deste sábado, as cores já começam a tomar forma na tela branca. Ao lado do espaço com seu apelido grafado, Tifum, ou Ricardo Carlos Garcia, pretendia começar a grafitar o músico brasileiro Cartola, com a arte que o escolheu há cerca de dois anos. "Eu desenho a vida toda e sonhava em viver de arte. Tentei o circo, dança de salão, mas só o grafite permitiu que eu possa me expressar e ser remunerado", diz.

Com grafites espalhados por toda Londrina e até em outras cidades, como Ponta Grossa, Maringá e Apucarana, Tifum diz que sua arte ajuda a sociedade a refletir sobre o que vê em suas pinturas. "Eu, como artista, quero trazer reflexão." Entretanto, o grafite, para ele, vai além: "Esta arte resgata crianças de atos infracionais, ajuda pessoas a fugir de vícios", diz.

Com um trabalho já em andamento, Hadylle Moreira, a Dilly, promete terminar seu grafite amanhã. Graduada em artes visuais e comunicação, ela é professora de artes na rede municipal de ensino e usa o grafite, que entrou em sua vida como tema de pesquisa, para discutir a importância da manifestação cultural na sociedade. "Muitas pessoas preferem ver pelo viés da beleza e não pela comunicação. Mas quem faz grafite quer passar uma mensagem", diz.
Grafite e sociedade
A relação entre o grafite como arte e a relação com a sociedade dominou o debate promovido na Casa da Cultura nesta sexta (25), primeiro dia do evento. Eduardo Diniz, o Napa, defende que a sociedade precisa se informar mais sobre esta intervenção urbana. "Não é apenas uma pintura, é um modo de expressão. Algumas pessoas usam o grafite para fugir da droga, da depressão, das dores da vida. Não é só uma pintura bonitinha", afirma.