A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) apresentou na tarde desta segunda-feira (14) um balanço parcial das ações emergenciais deflagradas na região sul do Mato Grosso do Sul (MS) nas duas últimas semanas, para evitar mortes relacionadas à desnutrição entre as crianças indígenas guarani e kaiowá da região.
Os técnicos ressaltaram que a situação de desnutrição é um reflexo da falta de terras para os índios e dos problemas sociais que decorrem desse "confinamento". Em Dourados, a reserva mais populosa da região, cerca de 11 mil índios vivem em 3500 hectares.
Na semana passada a Comissão de Direitos Indígenas do Povo Kaiowá-Guarani entregou um documento ressaltando o problema: "Aqui no Mato Grosso do Sul, nós indígenas fomos sendo expulsos de nossas terras, assassinados para a entrada de gado e, depois, de grandes plantações monocultoras como a soja. Foi um processo de violência contra as pessoas e contra as nossas formas de vida. As matas, onde podíamos caçar, foram destruídas pelos madeireiros e os tratores dos fazendeiros. Era lá que podíamos coletar alimentos como as frutas, o mel e a matéria prima para fazer nossas casas e utensílios", afirma o texto.
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Segundo a Funasa, foram examinadas no período 2131 crianças nas aldeias do sul do MS, onde vivem cerca de 37 mil guaranis kaiowás. Foram encontrados 21 casos de desnutrição grave, 106 casos de desnutrição moderada, 328 casos de crianças em situação de risco nutricional e 38 casos de sobrepeso.
As 1638 crianças restantes estão em situação considerada adequada. Essa, entretanto, é apenas a avaliação preliminar, feita a partir do resultado da relação entre os índices de peso e altura.
Informações da ABR