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Carros invadem Graciosa para fugir de pedágio

Valmir Denardin - Folha do Paraná
08 jan 2001 às 10:22
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A Estrada da Graciosa, a mais bela e antiga via em funcionamento no Paraná, está sendo invadida por motoristas em trânsito entre o Litoral e Curitiba que fogem do pedágio na BR-277. Desde 1985, a Serra do Mar, cadeia de montanhas cortada pela Graciosa, está tombada como Patrimônio Natural do Estado, pela Coordenadoria de Patrimônio Cultural da Secretaria Estadual de Cultura. Pelas leis do tombamento, os bens beneficiados mereceriam proteção especial.

A migração de veículos aumentou a partir de 2 de dezembro, quando o valor do pedágio no posto da BR-277, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), aumentou 21%, passando a R$ 5,20. Entre as viagens de ida e volta, a opção pode representar uma economia de R$ 10,40 - mais de seis litros de gasolina, com os quais um carro pode percorrer mais de 70 quilômetros. A BR-277 e a Estrada da Graciosa (PR-410) são as únicas ligações rodoviárias entre o Litoral e o restante do Estado.

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O ápice desse processo ocorreu em 1º de janeiro. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), que possuiu um posto de fiscalização na estrada, 5.379 veículos subiram a Graciosa em direção à Capital naquele dia. Esse volume representa 18% dos veículos que utilizaram, no mesmo dia e no mesmo sentido, a BR-277, rodovia com pista dupla, onde o limite de velocidade é 110 qulômetros por hora. Segundo a Ecovia, concessionária que opera a estrada, em 1º de janeiro trafegaram pela 277, no sentido Litoral-Curitiba, 29.498 veículos.

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Com pista simples e estreita (5,2 metros de largura), 146 curvas e tendo sete de seus 33 quilômetros pavimentados por paralelepípedos, a Estrada da Graciosa tem o limite de velocidade fixado em 60 quilômetros por hora, caindo para 40 nos trechos mais íngremes. O tráfego de caminhões na via é proibido.

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Não há levantamento de que porcentagem do crescente fluxo na Graciosa seja representada pelos motoristas em fuga do pedágio. De acordo com o segundo-sargento Edgard Garcia de Souza, comandante do posto da PRE na Graciosa, a maior parte do movimento na rodovia é de turistas, que aproveitam a viagem para apreciar a paisagem da Serra do Mar. Souza aponta outro fator para o aumento, especialmente no dia 1º: a tentativa de fugir dos pontos de lentidão em virtude do grande movimento na 277.


Na última quarta-feira, a reportagem da Folha percorreu toda a extensão da Estrada da Graciosa, que liga a BR-116 às cidades de Morretes e Antonina. Há pelo menos quatro problemas: os motoristas ultrapassam o limite de velocidade; o movimento maior é de caminhonetes e vans de turismo, com peso acima de 3 toneladas; o lixo é jogado ao longo da estrada e, em muitos pontos, as chuvas provocam pequenos deslizamentos de barrancos. Mesmo com um movimento considerado fraco pela PRE -468 veículos-, nas pontes estreitas chegavam a se formar aglomerações de carros.

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Durante o percurso, a reportagem conseguiu localizar três usuários que utilizavam a Graciosa para fugir do pedágio. "Estou usando esse dinheiro para colocar gasolina no carro", resumiu Rossi Freitas Branco, de 36 anos, que mora em Curitiba e tem parentes em Paranaguá.


A Folha procurou o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), responsável pela manutenção e administração da Estrada da Graciosa, mas os funcionários do órgão estão em férias coletivas até o próximo dia 15. A reportagem deixou recados no telefone celular do diretor do DER, Paulinho Dalmaz, mas não obteve retorno.

Os funcionários da Coordenadoria de Patrimônio Cultural também estão em férias coletivas. A assessoria de imprensa do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou que, na avaliação do órgão, o único impacto do aumento de veículos na Graciosa seria um volume maior de lixo. Segundo a assessoria, já há equipes trabalhando na coleta do lixo e a orientação dos usuários da via.


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