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Trabalhadores denunciam empreiteira por condições precárias de moradia e não pagamento de salários

Fernanda Circhia - Redação Bonde
29 abr 2017 às 12:19

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Dois funcionários contratados pela empreiteira L M de Magalhães Empreendimentos - ME, compareceram na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina (Sintracom Londrina), na última quarta-feira (26), para relatarem uma denúncia. Eles foram contratados para trabalhar no canteiro de obras do Conjunto Habitacional Solo Sagrado, de propriedade da Prestes Construtora.

Erivelton de Jesus Silva Soares e Luiz Henrique Sales de Moraes relataram que estão alojados com outros cinco colegas: Marcos Luis Torres Pavão, José Antônio Souza, Rogério Ferreira, Wilton Diniz Costa e Marcos Vinicius Diniz. Todos são da cidade de Santa Helena do Maranhão e vieram para Arapongas (Região Metropolitana de Londrina) para trabalhar com esta empreiteira com promessa de registro em CTPS, alimentação e alojamento.

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Segundo os trabalhadores, na primeira semana de trabalho, o empregador alegou que não teria condições de fornecer marmita e café, solicitando que eles fizessem compras no mercado e que após a apresentação das notas, efetuaria o reembolso de 50% do valor. No entanto, os funcionários disseram que não tinham dinheiro para fazer compras, afinal não receberam nenhum adiantamento salarial.


Além desta situação, não foram fornecidos equipamentos de proteção, uniforme, botina e luvas. Trabalhavam ao lado de fossas com 2 metros de profundidade e subiam em casas com altura de 3 metros sem uso de cinto de segurança.


Relataram também que o alojamento é muito precário. Conforme os trabalhadores, há apenas um banheiro, não há pia na cozinha, tem diversas infiltrações e goteiras. As camas tiveram que ser improvisadas pelos próprios funcionários com colchões emprestados. E na terça-feira (25), afirmaram que o empreiteiro retirou os outros colchões do local.


A água chegou a ser cortada no alojamento por falta de pagamento, foi restabelecida somente depois de dois dias.


Na última quarta-feira, o presidente do Sintracom e diretor da Nova Central, Denilson Pestana, entrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores Nas Indústrias Da Construção e do Mobiliário de Arapongas (STICMA) que realizou uma vistoria no alojamento localizado na rua Geraldo Viana da Cunha, em Apucarana.


De acordo com o secretário de finanças do STICMA, Ataíde da Cruz Botelho, a visita foi realizada e foi constatado que o lugar se encontra em péssimas condições. "Os colchões possuem densidade muito baixa, com prazo de validade vencido e péssima aparência. Uma sub-empreiteira alojou esses trabalhadores e os deixou em situação precária. Os alimentos foram fornecidos somente nos primeiros dias. Nós conversamos com a direção da Prestes Construtora e foi prometido que a situação seria averiguada e resolvida o mais rápido possível. Nós registramos a denúncia e vamos encaminhá-la ao Ministério do Trabalho. De qualquer forma vamos registrar a denúncia e caso não resolvam a situação, tomaremos outras medidas", afirma.


Apenas três dos cinco funcionários possuem registro em CTPS. "No dia 13 de abril, o empregados sem registro foram impedidos de entrar na obra sob argumento de que estavam sem o registro. Apenas teriam autorização para retornar após a regularização pelo empregador. No dia 19 de abril, o empregador dispensou todos os trabalhadores. Após uma semana da dispensa, o empregador alegou que os registros não seriam anotados em CTPS, que não possuía condições de arcar com o pagamento dos salários e que deveriam aguardar até o dia 10 de maio para receber", diz trecho de documento.

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Consta também na denúncia enviada pelo advogado do Sintracom Londrina, Jorge Custódio, que como não possuíam dinheiro para poderem arcar com as despesas de alimentação e outras necessidades básicas, os trabalhadores prestaram serviços por dia em uma obra de Ibiporã, concomitante com o labor em Arapongas. Até a última quinta-feira, nenhum pagamento havia sido efetuado.


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