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Virada

Raquel Lyra é eleita e será 1ª mulher a governar Pernambuco

Folhapress
30 out 2022 às 19:07

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Prefeitura de Recife
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Raquel Lyra (PSDB), 43, foi eleita a primeira mulher governadora de Pernambuco neste domingo (30). A candidata venceu, no segundo turno, a disputa contra Marília Arraes (Solidariedade). O resultado representa uma virada, pois, no primeiro turno, ela havia ficado em segundo lugar.


Filha do ex-governador João Lyra Neto, Raquel Lyra terá como vice também uma mulher, Priscila Krause (Cidadania). No primeiro turno, Pernambuco também elegeu a primeira senadora, Teresa Leitão (PT), e teve recorde de deputadas federais eleitas de uma vez só (foram três).

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A tucana sucederá Paulo Câmara (PSB). O antecessor dele foi o pai de Raquel, que assumiu como tampão por nove meses após a saída de Eduardo Campos (1965-2014) do cargo. O êxito da candidata do PSDB nas urnas representa uma vitória de um palanque de centro-direita após 20 anos em Pernambuco.


A neutralidade de Raquel Lyra em relação ao segundo turno presidencial não foi um impeditivo para a vitória dela nas urnas. No primeiro turno, ela apoiou a candidatura de Simone Tebet (MDB), mas optou por não se posicionar na segunda rodada presidencial. Com a neutralidade, sofreu críticas da adversária Marília Arraes (Solidariedade), apoiada no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Marília tentou associar a concorrente ao bolsonarismo, após alguns apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) terem declarado apoio à tucana. Raquel Lyra rebateu o discurso alegando que também tinha apoio de dissidências do PT.


A estratégia da agora eleita ao se manter neutra foi captar votos de lulistas e bolsonaristas no estado. Além disso, buscou vincular Marília Arraes ao governador Paulo Câmara, que tem elevada rejeição entre a população. Isso porque, após perder, o PSB declarou apoio a Marília no segundo turno, seguindo a posição de Lula. Câmara, no entanto, não declarou apoio explícito.


Procuradora do Estado e ex-delegada da Polícia Federal, a futura governadora é de uma família tradicional na política do agreste pernambucano. No segundo turno, seu palanque foi composto por políticos de diversas matrizes ideológicas, mas teve predominância de grupos da direita.


A família tem origem política no campo da esquerda. O pai, o ex-governador João Lyra Neto (PSDB), já foi filiado ao MDB no período da ditadura (1964-1985) e passou por PSB, PT e PDT. O tio, Fernando Lyra (1938-2013), ex-deputado federal, foi candidato a vice-presidente na chapa de Leonel Brizola, em 1989.


Raquel Lyra já apoiou candidaturas de Lula à Presidência em 2002 e 2006. Em 2010, foi aliada de Dilma Rousseff (PT). Em 2014, ela seguiu o seu então partido, o PSB, ao apoiar Aécio Neves no segundo turno contra a petista.


Dois anos depois, deixou o PSB após o partido negar as pretensões dela para tentar a Prefeitura de Caruaru. Com a negativa, se filiou ao PSDB e venceu a disputa. Em 2020, foi reeleita prefeita de Caruaru com 66,86% dos votos válidos. Em março de 2021, renunciou ao cargo para disputar o Governo de Pernambuco.


A campanha de Raquel Lyra enfrentou adversidades ao longo da eleição. No primeiro turno, teve o segundo menor tempo de propaganda no rádio e na televisão dentre os cinco postulantes mais competitivos. Além disso, recebeu apoio de um número pequeno de prefeitos.


Já no segundo turno, ganhou o apoio do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), que ficou em quinto lugar no primeiro turno. Na data da votação em primeiro turno, seu marido, o empresário Fernando Lucena, morreu aos 44 anos após um mal súbito. O velório e o sepultamento ocorreram no mesmo dia.


Raquel Lyra ficou mais de uma semana reclusa com os filhos e a família. No período do luto, a campanha foi coordenada pela candidata a vice. A vitória representa um fôlego para o PSDB, que perdeu no primeiro turno para o Governo de São Paulo após 28 anos. Internamente, a ex-prefeita é vista como um símbolo de possível renovação da sigla.


A crise nos hospitais públicos de Pernambuco, os problemas no transporte público da região metropolitana do Recife, as estradas estaduais e o alto índice de desemprego no estado estão entre os desafios da futura governadora para os próximos quatro anos.


Outra missão para a eleita é construir maioria pró-governo na Assembleia Legislativa. Para isso, terá que articular com partidos que apoiaram outras candidaturas na disputa estadual.


Derrotada, Marília Arraes ficará sem mandato a partir de 2023. A deputada federal vem de duas derrotas seguidas em disputas majoritárias. Há dois anos, perdeu no segundo turno para a Prefeitura do Recife para o primo João Campos (PSB).


A candidata pelo Solidariedade deixou o PT em março depois de seis anos. Ela não concordava com a aliança do PSB com o PT no âmbito estadual. Há quatro anos, a aliança dos dois partidos travou a possibilidade de a política disputar o governo estadual.


A era de 16 anos de poder do PSB chegará ao fim em dezembro. O partido é hegemônico no estado desde 2007, com quatro mandatos à frente do Palácio do Campo das Princesas: dois de Eduardo Campos e dois de Paulo Câmara.


O futuro do PSB no estado passa agora pelas mãos do prefeito do Recife, João Campos. A reeleição dele em 2024 é tida como crucial para o partido ter força em uma eventual nova disputa pelo governo estadual daqui a quatro anos.


Como o Datafolha faz a projeção Para projetar a vitória de um candidato, o Datafolha acompanha os dados da apuração divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, por meio de um sistema próprio, faz a projeção do resultado considerando o peso que cada mesorregião tem em relação ao total de eleitores de cada estado.

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Quando há um número razoável de votos apurados em todas as mesorregiões, seguindo composição do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há um ponto em que é possível estimar que um candidato não pode mais ser ultrapassado, e, portanto, projetar sua vitória.

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