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A volta da macacada

Rodrigo Moraes
03 ago 2001 às 17:24
Tim Roth como o general Thade: ei, é você mesmo? - divulgação
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Remake, não, os produtores alardeiam. "Planeta dos Macacos" é uma "reimaginação" do filme que fez história no gênero de ficção científica. Ao invés de Charlton Heston, Mark Wahlberg faz o papel do astronauta que cai num planeta onde os macacos imperam e os humanos são escravos. Ajudado por uma chipanzé simpatizante dos humanos (considerados bichos, na visão da macacada), o astronauta corre atrás de sua liberdade acompanhado por um grupo de rebeldes. O grupo segue para a zona proibida do planeta, lugar que guarda o segredo da origem dos macacos. No seu encalço está o General Thade (Tim Roth), maquiavélico chipanzé que gosta mesmo é de ver escorrer o sangue humano.
Alguém falou que Tim Roth, pelo seu papel do maligno Thade, merece uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Seria o mesmo que indicar um ator que dublou o personagem de um desenho animado. Não tem como negar que Roth faz um bom trabalho vocal, mas sua voz parece alterada digitalmente e seu personagem carece (e muito) das sutilezas dos grandes vilões. O tempo todo ele está com aquela expressão exageradamente zangada, e isso contribui para a completa ausência de pontos altos em sua atuação. Atuação? Na verdade, é difícil imaginar um ator por trás daquela máscara. Aliás, aquilo é mesmo uma máscara?
Inacreditável. A maquiagem do filme é um show à parte, muito já se falou sobre isso. É talvez o trabalho de maquiagem mais impressionante de toda a história do cinema. A caracterização dá a cada orangotango, chipanzé ou gorila personalidade e características próprias. Um cavanhaque ou barba grisalha, uns quilinhos a mais, dentes cariados e sombrancelhas expressivas: detalhes espantosos estão em cada personagem. A fantástica perfeição do trabalho de Rick Baker já vale o ingresso. Indicado 10 vezes ao Oscar, o mago da maquiagem já ganhou 6 estatuetas e está a caminho da sétima.
A estilização imposta por Tim Burton é, como sempre, de encher os olhos. Os cenários da cidade dos macacos e a destroçada zona proibida nos fazem lembrar da estilização de Gotham City em "Batman". Como ninguém, Burton e seu desenhista de produção Rick Heinrich criam um mundo imaginoso, cheio de estilo, graficamente instigante.
Mas o filme também vale pela presença do orangotango Limbo (Paul Giammatti), um mercador de humanos que rouba a cena toda vez que aparece. Muito mais que Tim Roth, é ele o grande destaque do filme. Responsável pelos momentos cômicos da história, o público vibra a cada vez que ele aparece em cena. Por ele as pessoas até desculpam os momentos em que o roteiro força a barra sem dó de nossa inteligência, como quando uma nave "funciona" passados milhares de anos de sua queda.
Esqueçam essas inconsistências, comam sua pipoca e fiquem quietinhos, querem nos dizer os produtores. Bobagens à parte, "Planeta dos Macacos" é um divertido filme de férias, decepcionante para quem espera um grande filme de Tim Burton, mas com bons momentos perdidos no meio de um roteiro cheio de previsíveis surpresas.
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