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Tom Cruise é o astro de 'O Último Samurai'

26 jan 2004 às 09:38
- Divulgação
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A primeira impressão que desperta ''O Último Samurai'', é que se trata de um filme de aventuras para adultos, embora não privativo destes. Bem, hoje em dia a juvenilização da produção audiovisual é tamanha que até se pode estranhar a presença de um produto destes no mercado. Ainda mais sabendo que se trata de um lançamento caro, com astro famoso, Tom Cruise no papel principal.

Cruise, diga-se, está muito bem no papel de Nathan Algren, capitão que serviu na 7 Cavalaria sob as ordens do general Custer, aquele que dizia que índio bom é índio morto. Algren lutou, conviveu com o horror e saiu machucado da guerra. Tornou-se alcoólatra. Seu conhecimento da arte militar encontra emprego numa luta no outro lado do mundo, o Japão.

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Katsumoto (Ken Watanabe) é o líder samurai contra o qual as forças de modernização irão lutar. Algren luta contra Katsumoto. São inimigos, a princípio. Depois, o americano é capturado pelo japonês, e a amizade nasce entre os dois. É uma história de amizade viril, no velho estilo do Oeste americano, mas ambientada no Japão dos samurais. Funciona.

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O filme é, à sua maneira, crítico da modernização, ou do que esta implica em termos de desumanização das relações humanas. O ocidental é um desgarrado da civilização. Encontrou na anestesia pelo álcool uma forma de sobrevivência. Quando entrar em contato com outra cultura, poderá humanizar-se outra vez. À custa de muito e muito sangue e também à custa de uma renúncia a seus valores - que aliás, àquela altura, já estavam bem desgastados.

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Não falta beleza ao filme que, diz o diretor Edward Zwick, seria inspirado no clássico de Akira Kurosawa, ''Os Sete Samurais''. Podemos perguntar até onde vai essa influência, pois Zwick certamente ocidentalizou a leitura até onde isso foi possível. Fica no limite da descaracterização, mas toma algumas precauções, tais como o respeito à linguagem.


Precisa, claro, de interlocutores que falem inglês com Cruise, mas pelo menos os nativos falam japonês entre si, o que já não é pouco em produção hollywoodiana.
Mais interessante é a ''suavização'' dos traços orientais da banda ''boa'' do filme, enquanto os vilões, estes sim, parecem verdadeiros orientais.

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Tudo é sutil, mas muito perceptível. Essa suavização dos traços alheios, para que marquem alguma diferença, mas também se pareçam ''conosco'', é uma das artes do cinema comercial americano. Levada à perfeição pela Disney, faz dos seus desenhos animados o máximo da ''diversidade integrada no todo''.


Ainda assim, mesmo com o traço da diversidade suavizado, ''O Último Samurai'' apresenta qualidades. É claro que ao longo da história iremos encontrando os cacoetes formadores de uma linguagem cinematográfica padrão: alguns vilões bem demarcados, uso melodramático da trilha sonora, algumas situações implausíveis.

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O guerreiro alcoólatra, egresso da Guerra Civil, deveria parecer um farrapo humano. Mas Cruise paira na tela em excelente forma, e, apesar das cicatrizes e escoriações que traz pelo corpo (ou até por causa delas), o público feminino não terá do que se queixar. Enfim, é um filme do sistema, investiu-se nele, tem um astro famosíssimo e não se brinca impunemente com essas coisas.


Se essas limitações existem, seria mesquinho apegar-se a elas. As cenas de lutas e batalhas, por exemplo, parecem muito convincentes. Devam o que deverem à tecnologia, nada têm do artificialismo digital das de ''O Tigre e o Dragão'' ou ''O Senhor dos Anéis''. Parecem travadas entre seres humanos, gente de carne e osso, que sofre, sente medo, sente dor, sangra e morre. De certa forma, essas cenas são um alívio diante de tanta fantasia adolescente que tem pintado nas telas ultimamente.


A contradição interna de Algren, apesar de suavizada como já se disse, também é para ser levada a sério. Ele é dilacerado e encontra em seu antípoda uma possibilidade de reintegração com a vida e consigo mesmo. Esse equilíbrio sai do encontro entre um derrotado americano com um derrotado japonês. A força da História destrói o modo de vida dos dois e se impõe com a força da racionalidade econômica. O estilo de vida do sul americano torna-se tão anacrônico quanto o dos samurais japoneses, mas o filme faz a apologia desses valores ''autênticos'' contra a modernização econômica.

Não deixa de ser curioso que a ultracapitalista indústria cinematográfica se disponha a lucrar com uma mensagem nostálgica e, no fundo, passadista. Mas enfim as contradições estão presentes a todo instante, mesmo que sejam instrumentalizadas para fins de lucro. Ao que parece, essa fértil ambivalência tem funcionado bem, com sucesso tanto nos Estados Unidos como no Japão, o que leva a crer no encontro entre duas nostalgias cruzadas, por dois países que terminaram a 2 Guerra como inimigos e se reconciliaram num após-guerra sedento por mercados emergentes.


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