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Bonnie and Clyde

28 ago 2015 às 20:11
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Ontem* revi um daqueles filmes que mais me despertaram a vontade de fazer cinema: a história de Bonnie and Clyde (1967) contada pelo mestre Arthur Penn (1922-2010). Vi esse filme pela primeira vez em VHS em uma TV de 12 polegadas, daquelas que se deixava na cozinha de casa, e que por um acaso ficou no meu quarto. Revi há 15 anos no Ouro Verde em 35mm, quando a Warner relançou algumas cópias dos seus principais filmes. E agora pude reencontrar esses personagens em uma versão digital em DCP.

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O filme tem um ritmo próprio - com alguns tempos mortos, e até uma certa falta de ritmo mesmo. Mas há momentos muito sedutores, como a seqüência inicial, na qual Clyde e Bonnie se conhecem, e a seqüência antológica do assassinato no final do filme.

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Penn era um grande diretor de atores, e aqui talvez tenhamos o melhor desempenho de Faye Dunaway. Ela encarna uma releitura de Jean Seberg e Jeanne Moreau com uma dose de fatalidade não tão maquiavélica quanto a de Peggy Cummins em Gun Crazy, de Joseph H. Lewis. Gene Wilder faz a sua estreia no cinema enquanto Gene Hackman dá vida ao fanfarrão Buck, irmão de Clyde.


O filme marca de forma muito clara a transição entre a velha e a nova Hollywood, o novo e o velho jeito de fazer filmes, tanto que o diretor de fotografia Burnett Guffey, que já tinha um Oscar por From Here to Eternity, chegou a ser demitido para depois retornar ao set que lhe daria uma segunda estatueta. É o filme de estreia também do diretor de arte Dean Tavoularis, que posteriormente se tornaria célebre pela parceria com Francis Ford Coppola, incluindo a trilogia The Godfather. Assim como também foi a estreia da figurinista Theadora Van Runkle, que depois se destacaria com filmes como Bullitt e The Godfather: Part II.

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Um dos grandes responsáveis pela realização do filme foi Warren Beatty, que convenceu Jack Warner a financiar a produção ao custo de 2,5 milhões de dólares - o filme faturou tanto que na época se tornou a 2ª maior bilheteria da história da Warner, totalizando 50 milhões dos quais Beatty tinha direito a 40% pelo seu contrato. esse talvez não seja o melhor filme de Penn - há quem prefira O Pequeno Grande Homem (1970) ou até mesmo Duelo de Gigantes (1976), com Marlon Brando e Jack Nicholson. Eu gosto muito de Caçada Humana (1966) e Four Friends (por motivos pessoais), além de Um Lance no Escuro (1975). Mas não há como negar o charme de Bonnie & Clyde - é um filme pelo qual nos apaixonamos, sobretudo pela sua imperfeição.

*Texto escrito a 10 de novembro de 2014.


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